Deputados de RO são acusados de pedir propina
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segunda-feira, 16 de maio de 2005
Silvio NavarroFolhapress 
São Paulo - A Assembléia Legislativa de Rondônia instalou ontem uma comissão, formada por cinco deputados, para investigar as denúncias feitas pelo governador Ivo Cassol (PSDB) contra um grupo de dez deputados, acusados de negociar propina em troca de apoio político no Legislativo. A divulgação de fitas de vídeo nas quais sete deputados estaduais, que diziam falar em nome de um grupo de dez parlamentares, aparecem pedindo propina ao governador gerou uma série de protestos e abriu uma crise entre o Executivo e o Legislativo no Estado. Nas gravações, exibidas domingo pelo ''Fantástico'', da Rede Globo, os deputados parecem negociar o pagamento de R$ 50 mil por mês para cada um do grupo em troca de apoio político para aprovar projetos no Legislativo.
Por determinação do desembargador Gabriel Marques, do Tribunal de Justiça de Rondônia, a reportagem veiculada no ''Fantástico'' não foi transmitida para o estado. A ação determinando que a matéria não fosse exibida foi protocolada domingo por 21 dos 24 deputados.
Cassol afirma ter sido o autor das filmagens, feitas em seu escritório. O secretário de Comunicação do governo rondoniense, Sérgio Pires, disse que as gravações foram feitas ''no final de 2003''. Não soube, entretanto, precisar as datas e não quis explicar por que o material não foi divulgado antes.
Em diferentes conversas, aparecem negociando propina os deputados Ellen Ruth (PP), Ronilton Capixaba (PL), Daniel Nery (PMDB), Emílio Paulista (PPS), Kaká Mendonça (PTB), João da Muleta (PMDB) e Amarildo de Almeida (PDT). Os deputados sugerem ao governador o superfaturamento do contrato com uma empresa responsável pelos postos de vigilância. Em outro trecho, o deputado Amarildo de Almeida pede a dispensa de licitação para favorecer uma empresa.
Os vídeos também contêm denúncias de corrupção contra o ex-governadores do Estado, o atual senador Valdir Raupp (PMDB), e o atual prefeito de Ji-Paraná, José Bianco de Abreu (PFL). Ambos se recusaram a comentar as denúncias.


