Deputados de Londrina votam a favor da reforma da Previdência
Após aprovação em primeiro turno, deputados pressionam presidente da Câmara por um cronograma para discutir os destaques
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Após aprovação em primeiro turno, deputados pressionam presidente da Câmara por um cronograma para discutir os destaques
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha 

Os quatro deputados federais de Londrina – Boca Aberta (Pros), Diego Garcia (Pode), Filipe Barros (PSL) e Luísa Canziani (PTB) - seguiram a maioria da bancada paranaense e votaram pela aprovação do texto-base da reforma da Previdência, nesta quarta-feira (10), na Câmara Federal, em Brasília. Dos 30 parlamentares do Paraná, 24 votaram favoravelmente e seis foram contrários.
As seis rejeições partiram dos deputados Ênio Verri, Gleisi Hoffmann e Zeca Dirceu (PT), de Aliel Machado e Luciano Ducci (PSB) e de Gustavo Fruet (PDT). Eles representam 20% da bancada paranaense na Câmara Federal.
VOTARAM CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Aliel Machado (PSB)
Enio Verri (PT )
Gleisi Hoffmann (PT)
Gustavo Fruet (PDT)
Luciano Ducci (PSB)
Zeca Dirceu (PT)
VOTARAM A FAVOR DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Aline Sleutjes (PSL)
Aroldo Martins (PRB)
Boca Aberta (PROS)
Christiane de Souza Yared (PL)
Diego Garcia (Podemos)
Evandro Roman (PSD)
Felipe Francischini (PSL)
Filipe Barros (PSL)
Giacobo (PL)
Hermes Parcianello (MDB)
Leandre (PV)
Luisa Canziani (PTB)
Luiz Nishimori (PL)
Luizão Goulart (PRB)
Paulo Eduardo Martins (PSC)
Pedro Lupion (DEM)
Reinhold Stephanes Junior (PSD)
Ricardo Barros (PP)
Rubens Bueno (CIDADANIA)
Sargento Fahur (PSD)
Schiavinato (PP)
Sergio Souza (MDB)
Toninho Wandscheer (PROS)
Vermelho (PSD)
No total, o texto-base foi aprovado em primeiro turno por 379 votos favoráveis, 131 contrários e nenhuma abstenção. O governo precisava de 308 votos para aprovar a emenda constitucional.
O QUE DIZEM OS DEPUTADOS
No Facebook, Luísa Canziani comemorou o que considerou um “dia histório para o Brasil”. Para ela, aprovar a reforma da previdência é questão de “responsabilidade com o povo brasileiro”. “Não podemos permitir que o sistema previdenciário continue sendo um dos pontos mais significativos quando falamos de concentração de renda e desigualdades sociais”, escreveu.
A deputada também considera que a aprovação coloca o Brasil na rota da recuperação econômica, da retomada dos investimentos e do equilíbrio fiscal.
Diego Garcia disse ter votado favorável porque a reforma da Previdência “é uma necessidade neste momento que o país vive”. “Em 2018, gastamos mais de R$ 700 bilhões com previdência, enquanto com saúde, foram R$ 110 bilhões. Essas distorções nos números mostram uma necessidade de uma reforma urgente que consiga devolver o equilíbrio fiscal e solucionar esta situação problemática a que a gente chegou”, afirma.
O deputado também ressaltou as mudanças demográficas pelas quais o Brasil passa, com o envelhecimento da população. “Há 30 anos, a média era de cinco filhos por família; hoje, são 1,7. Não adianta usar um cálculo feito lá atrás e achar que as contas vão continuar fechando”, diz.
Garcia afirma que o modelo previdenciário no texto-base vai equiparar a idade de aposentadoria dos mais pobres - “que são os que se aposentam mais tarde”, ressalta Garcia – com a dos mais ricos, que também passarão a contribuir por mais tempo, aumentando a arrecadação.
Apesar do voto contrário, Aliel Machado diz não ser contra uma reforma da previdência. “Precisamos resolver os problemas demográficos, as pessoas estão ficando mais velhas. Sou a favor de uma idade mínima [para aposentadoria]. Sou a favor de combater privilégios, abrir mão de aposentadoria especial, mesmo sendo complementar. O problema está dos detalhes colocados neste texto”, disse o parlamentar.
Para ele, o texto aprovado não combate desigualdades. “Este texto específico, segundo os dados do governo, [assegura que] 92% da economia nos próximos 20 anos será feita em cima de quem ganha até R$ 1,3 mil”, evidenciou. Ele também ressaltou a anistia tributária sobre o INSS a exportadores, de R$ 84 bilhões aprovada de madrugada pela Câmara Federal. “Isso não é combater privilégios, não é esta reforma que as pessoas defendem lá fora: corte de privilégios, não corte de direitos das pessoas mais simples”, justificou.
PRÓXIMOS PASSOS
Após o encerramento abrupto da sessão de votação da reforma da Previdência na quarta-feira, deputados cobram agora do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma definição clara do cronograma para os próximos dias. A Casa ainda precisa analisar 17 destaques à proposta, além de realizar uma votação em segundo turno.
Os parlamentares querem organizar suas viagens aos Estados e precisam saber se terão que permanecer em Brasília. Há, no entanto, uma divisão entre os que defendem que as votações entrem pela madrugada desta sexta-feira, 12, e pelo fim de semana, se necessário, e há os que defendem que as análises dos destaques prossigam até amanhã e que a votação do segundo turno da proposta fique para a semana que vem.
Por ser véspera do início do recesso, marcado para começar em 18 de julho, há o risco do quórum da próxima semana ser mais baixo do que o registrado na sessão de quarta-feira, quando 510 deputados votaram o texto-base. Foram 379 votos a favor e 131 contrários. São necessários 308 votos favoráveis para se aprovar o texto no segundo turno também.
Apesar de ter convocado sessão para às 9 horas desta quinta, a expectativa é a de que a análise dos 17 destaques que ainda estão na pauta só seja retomada na parte da tarde. Maia ainda não chegou à Câmara e estão presentes na Casa apenas 307 deputados.
(Com Agência Estado)


