Deputados de Londrina se dizem alinhados com pautas pró-Bolsonaro
Luísa Canzini, Boca Aberta e Diego Garcia rebatem críticas de movimento que articulou manifestação na cidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Luísa Canzini, Boca Aberta e Diego Garcia rebatem críticas de movimento que articulou manifestação na cidade
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
Criticados por líderes do movimento Direita Paraná que organizaram o ato em favor do governo Jair Bolsonaro (PSL) no último domingo (27) em Londrina, os deputados federais com base eleitoral na cidade responderam à FOLHA sobre o posicionamento em torno dos principais temas cobrados por manifestantes como a reforma da Previdência e o pacote anticrime.
Durante o ato, no carro de som uma assessora do deputado federal Filipe Barros (PSL) chegou a citar que os deputados Boca Aberta (Pros), Luísa Canziani (PTB) e Diego Garcia (Pode) estavam “em cima muro” sobre dois dos principais assuntos na agenda da Câmara Federal. A manifestação, em quase todo o país, foi organizada por políticos e movimentos pró-Bolsonaro ou diretamente por parlamentares do PSL. Barros participou do evento na Avenida Paulista, em São Paulo, e gravou mensagens retransmitidas aos manifestantes de Londrina, mas o áudio apenas agradecia ao apoio ao movimento sem citar os colegas da bancada paranaense.
CONTRAPONTO
Diego Garcia questionou a legitimidade dos líderes do movimento, que segundo ele "não foi apartidário nem independente." Sobre a reforma da Previdência, Garcia respondeu que em uma busca rápida pelas redes sociais dele é possível conhecer seu posicionamento sobre o tema. “Fui membro titular na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e votei favorável à PEC da Previdência. Sou membro da Comissão Especial, é desonestidade por parte dos líderes do movimento.”
Garcia defendeu a idade mínima, que considera um tema já pacificado no Congresso. A PEC prevê 65 anos para homem e 62 anos para mulheres. “Quem são as pessoas que se aposentam mais cedo? São os servidores públicos com alto salários, aqueles que já ganham mais e estão estabilizados. O texto corrige essas distorções. Consequentemente, terão que contribuir mais, já o mais pobre tem sido obrigado a trabalhar mais", disse.
Segundo ele, as mudanças no BPC (Benefício de Prestação Continuada) e na aposentadoria rural são os principais pontos questionados por parlamentares. Garcia propõe a flexibilização da BPC na Comissão Especial. “Deve ser mudado esse item, propondo que o beneficio seja opcional e proporcional, vinculado ao salário mínimo”. Ele também disse acreditar na retirada da mudança na aposentadoria rural, que já gerou embate na Câmara. "O impacto é pequeno e será possível corrigir as fraudes de outras formas. Seria tolice defender a manutenção deste ponto na proposta”, ponderou o deputado do Podemos.
O deputado Emerson Petriv, o Boca Aberta, retrucou as críticas dos organizadores da manifestação. “A manifestação não foi apartidária. Foi organizada pela assessora do Filipe Barros, mas nem ele mesmo esteve aqui. Não foi só uma manifestação pró-reformas, os organizadores tiveram o intuito de nos atacar."
Sobre a Previdência, Boca Aberta disse que votará favorável, mas defende mudanças no texto original levado pelo Ministério da Economia. O principal é baixar a idade mínima. “O próprio Bolsonaro e os filhos pregaram que 65 anos é um crime. Vamos propor juntos uma emenda e temos 171 assinaturas para 58 idade mínima para homens e 53 para mulheres.” Ele também prega a manutenção do BPC (Benefício Assistencial de Prestação Continuada) da forma como é atualmente.
PREOCUPAÇÃO
Já a deputada Luísa Canziani disse ser favorável à nova Previdência, mas alegou que quer conhecer primeiro a redação final do texto que irá passar pela Comissão Especial. “Preciso aguardar o texto que será colocado em votação para que eu possa argumentar em pontos específicos. Reitero meu compromisso com uma reforma justa para todos os trabalhadores. No entanto, é importante que alguns pontos sejam esclarecidos.”
Luísa pontuou preocupação com o impacto distributivo da Previdência de acordo com a renda da população ao citar dados do Ministério da Fazenda de 2018. “40% dos recursos previdenciários vão para os 20% mais ricos e apenas 3% vão para os 40% mais pobres. Essas distorções precisam ser corrigidas.” A deputada também afirmou considerar a reforma fundamental para retomada dos investimentos. “Com mais obras públicas, aumenta-se a oferta de empregos e movimenta toda a economia. Portanto, acreditamos que a reforma é necessária para garantir o futuro dos brasileiros porque vai ajudar na construção de um País mais justo."
Defesa do pacote anticrime
Em relação ao pacote anticrime elaborado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, a deputada Luísa Canziani disse acreditar que o projeto é um importante instrumento para o combate à corrupção e melhorar a investigação de crimes no Brasil. Ela chegou a citar ser favorável à permanência do Coaf no Ministério da Justiça, mas no dia da votação da Medida Provisória, na semana passada, a deputada não estava presente por outro compromisso parlamentar. “O Coaf desempenha um papel fundamental de enfrentamento às atividades ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro", disse Luísa.
Boca Aberta votou pela permanência do Coaf na Justiça, mas acabou sendo voto vencido. O deputado afirmou que é favorável ao pacote anticrime. “Para mim a prisão teria que ser já em primeiro grau, mas agora deu prisão em segundo grau: tranca a jaula e penitenciária”, disse.
Diego Garcia também votou pela manutenção do Coaf nas mãos de Moro. Ele afirmou ser um defensor contumaz do pacote anticrime e do endurecimento das leis contra corrupção. “Tenho uma posição clara e favorável sobre esse tema. Fui um dos autores das 10 medidas anticorrupção e de todas as medidas para combater o crime organizado e para diminuir a infinidade de recursos protelatórios. Inclusive estive em encontro recente com Moro. É irresponsabilidade dizer algo diferente disso. Não posso ser colocado neste balaio, não condiz com meu trabalho.” (G.M.)


