Os deputados Cobra Repórter (PSC) e Tercílio Turini (PPS), da região de Londrina, têm visões diferentes sobre o pacotão de Beto Richa (PSDB). Enquanto o primeiro votou a favor do regime de urgência e criação de Comissão Geral para aprovação às pressas, o segundo rejeitou a proposta e adianta seu voto contrário aos textos do Executivo.
Já Tiago Amaral (PSB) não atendeu às ligações na tarde e noite de ontem e não retornou os pedidos de entrevista deixados em sua caixa postal e feitos à sua assessoria de imprensa sobre os motivos que o levaram a votar a favor da tramitação em regime de urgência, apesar das manifestações contrárias da população.
Cobra, que pertence à base de sustentação de Beto na Assembleia Legislativa (AL) – o PSC é a legenda do secretário de Desenvolvimento Urbano do Paraná, Ratinho Júnior, e é a maior bancada do Legislativo justamente por causa de sua expressiva votação – disse que votou favorável ao regime de urgência porque, após analisar os textos, considerou que "não tem nada que fere o professor e os funcionários públicos".
Ele também não considera que seu voto na contramão dos apelos populares seja contra os interesses dos eleitores. "O que percebo é que há uma onda no Estado devido à insatisfação em várias áreas, mas não podemos aliar uma coisa com a outra. O que acompanho é o pessoal da APP-Sindicato (sindicato dos professores estaduais) inflamado, mas não explicam o projeto à categoria."
Com mais tempo de vida política, Turini se diz "preocupado com o desfecho" da possível aprovação dos projetos de lei, ante os manifestantes que ocupam a AL e a Polícia Militar. "Vemos uma mobilização no Estado como pouco se viu. Essa aprovação pode levar o Paraná a uma greve geral muito longa. E comissão geral é uma excrescência, porque elimina todo tipo de debate", justificou.

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