Deputados da oposição se mobilizam
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de maio de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
A maioria dos deputados da bancada de oposição viaja a Londrina amanhã para uma reunião conjunta com o Ministério Público, os vereadores da cidade que integram a Comissão Especial de Investigação e representantes do Movimento Pela Moralidade na Administração Pública. A sociedade não quer que a Assembléia fique calada e não vamos permitir que o cargo de vice-governador seja manchado. A situação é nebulosa e temos que raciocinar sobre os fatos levantados até agora para tomar alguma atitude, justificou o líder do PMDB, Nereu Moura.
Moura e o líder da bancada oposicionista, Irineu Colombo (PT), explicaram que, dependendo da análise dos documentos que receberão em Londrina, devem pedir a instalação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) ou até mesmo uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o envolvimento da vice-governadora e mulher do prefeito afastado Antonio Belinati (PFL), Emília Belinati (PTB), nas denúncias de uso indevido de dinheiro da prefeitura. Tivemos cautela até agora, mas a Emília está moralmente impedida de assumir o cargo de governador, criticou Colombo, se referindo à possibilidade de Emília ocupar o cargo do governador Jaime Lerner durante o período em que ele estiver viajando para o exterior.
A assessoria de Lerner não confirma, mas o governador pode viajar até o fim do mês. Emília assumiria o cargo caso Lerner faça parte da comitiva que vai à França entre os dias 21 e 27 deste mês, para receber o certificado de área livre de febre aftosa para o Paraná ou acompanhe a mulher, Fani, numa viagem para os Estados Unidos.
Os deputados da oposição alegaram que não haviam se manifestado sobre o escândalo em Londrina porque tinham o maior respeito pela ex-colega na Assembléia Emília Belinati foi deputada estadual de 1990 a 1994. Temos que investigar porque estas denúncias não atingem somente a vice-governadoria, mas também o Palácio Iguaçu, argumentou Moura.
Ao contrário do presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB), que considera o caso de Londrina uma questão delicada, mas muito mais caseira que qualquer outra coisa, os deputados da oposição querem trazer a discussão para o Legislativo. A Assembléia é o foro para discutirmos o escândalo de Londrina, justificou Irineu Colombo. Segundo ele, a oposição não está em busca de holofotes.
Se, ao analisarmos a documentação do caso, obtivermos compovações do envolvimento do deputado Antônio Carlos Belinati e da mãe dele, ou vamos pedir uma CEI específica para apurar a participação dos dois ou a instalação de uma CPI, mais ampla, para investigar todas as denúncias de irregularidades na compra de ações do Sercomtel feita pela Copel no ano passado, garantiu.
Uma CEI pode ser criada a partir da aprovação de um requerimento. Já uma CPI depende da assinatura de pelo menos 18 deputados e a votação, em plenário, de um projeto de resolução.


