Curitiba - A decisão isolada do presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), de cortar o benefício do 14º e 15º salário dos 54 deputados estaduais, recebeu ontem duras críticas dos parlamentares. Rossoni tomou a decisão no fim da noite da última terça-feira. Muitos líderes reclamaram de não terem sido consultados, dando a impressão para a sociedade de que apenas Rossoni queria extinguir o benefício e que os demais seriam contra a decisão. Os deputados contaram que ficou decidido em reunião de líderes que o benefício se manteria e que a questão voltaria a ser discutida no ano que vem. E depois Rossoni mudou de ideia.
''Não há o que reclamar sobre o corte, porque mais cedo ou mais tarde isso seria eliminado, não tinha como tentar manter a verba e não haveria resistência dos deputados. Agora, deveria ter sido discutido por todos. Fiquei sabendo pela imprensa hoje (ontem) cedo (sobre a decisão)'', disse o líder do PMDB na Casa, Nereu Moura. Ele também ressaltou que a reunião de líderes que acontece semanalmente não tem tido muita eficácia. ''Hoje a AL não vive um clima de harmonia. A reunião de líderes só serve para informar os líderes das decisões já tomadas'', completou Nereu.
Rossoni procurou não polemizar: ''Eu tenho minhas razões, interpretei o momento que a AL está vivendo e não podemos jogar uma cortina de fumaça em cima de todo o trabalho de moralização da Casa e algo que teríamos dificuldade de explicar para a opinião pública''. O pagamento do 14º e do 15º salário corresponde a um total de R$ 40 mil. A chamada ajuda de custo estava sendo paga aos deputados estaduais desde 1995, a título de convocação e desconvocação dos parlamentares, nos moldes do que ocorre no Senado Federal.

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