Deputados criticam relatório de CPI
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Onze meses após o início dos trabalhos, o deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB) apresentou ontem o relatório final da CPI da Reforma Agrária. Três deputados do PT, porém, pretendem apresentar um voto contrário ao relatório de Bradock, alegando que o peemedebista teria favorecido os fazendeiros em suas conclusões. O relatório deve ser votado no plenário da Assembléia na semana que vem.
Uma possível parcialidade da CPI já havia gerado polêmica em março de 2004, quando o deputado Plauto Miró (PFL) apresentou a proposta de criação da comissão. Os deputados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acreditavam que a CPI pudesse ser usada como uma maneira de ''demonizar'' o movimento, defendendo a postura dos propretários de terra no Estado.
Apesar do problema ter sido considerado resolvido durante os trabalhos da CPI, que ouviu representantes dos sem-terra, dos proprietários e do governo, o deputado Tadeu Veneri (PT) acredita que as conclusões finais de Bradock excluíram a responsabilidade dos fazendeiros nos conflitos por terra ocorridos no Paraná. ''O relatório não pode pedir que o Ministério Público (MP) investigue apenas os membros do MST responsáveis pelas invasões. Queremos que se coloque também em discussão as terras indígenas ocupadas por fazendeiros, e a questão de grandes proprietários que também ocupam terras ilegalmente'', afirmou.
Além de Veneri, os deputados Padre Paulo (PT) e Luciana Rafagnin (PT) também estudam a possibilidade de apresentar um voto em separado na semana que vem. Antes, porém, uma reunião com Bradock será feita para tentar incluir as questões levantadas pelos representantes do PT. ''Depois chegam as eleições e vão dizer que existe um relatório aprovado pelos deputados do PT que joga a culpa pelos problemas fundiários apenas no MST. Acho que todas as questões devem ser investigadas, incluindo a responsabilidade do Estado e dos fazendeiros'', afirmou Veneri.
O presidente da comissão, Élio Rusch (PFL), discorda da posição do PT. ''Quem quiser acompanhar o relatório pode ver que foi feita uma análise completa da questão, expondo o argumento de todos os lados e fazendo recomendações aos órgãos públicos para que mudem o sistema de implantação da reforma agrária em todo o país. As recomendações ao MP são relacionadas apenas aos casos novos trazidos à comissão, e todos esses fatos foram relatados'', disse Rusch.


