Deputados criticam decisão de Jobim
Brasília - A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, de mandar suspender os processos de cassação contra seis deputados federais do PT foi considerada pela oposição na Câmara como uma ''interferência indevida'' em assuntos do Legislativo e provocou uma reação em cadeia entre outros parlamentares cujos mandatos estão em risco. Um deputado que cogitava a hipótese de renunciar ontem ao mandato, José Borba (PMDB-PR), ex-líder da sigla, ao saber da decisão do STF no final da manhã, revisou o plano e pediu que seu advogado estudasse medida semelhante à dos petistas. O deputado José Janene (PP-PR) disse que também recorrerá ao STF.
O líder do PSDB, Alberto Goldman (SP), demonstrou irritação com a liminar concedida pelo STF. ''A decisão de Jobim contraria tudo o que ele tem dito. Ele sempre disse que o Judiciário não pode interferir nas questões de outros Poderes'', disse. A liminar suspendeu a tramitação dos processos de cassação contra os petistas até o julgamento do mérito - se houve ou não cerceamento da defesa - até hoje sem data prevista. Integrante da CPI dos Correios, Eduardo Paes (PSDB-RJ) afirmou que o Judiciário estava interferindo ''em decisões soberanas'' do Congresso e pediu que a própria CPI pressione a Câmara a tomar medidas contra a decisão do STF.
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), classificou como uma ''lamentável ingerência do Judiciário sobre o Legislativo'' a decisão do presidente do STF. O comando da Câmara deu sinais de que não recorrerá da liminar. ''Decisão do Supremo se cumpre'', disse o primeiro-vice-presidente da Casa, José Thomaz Nonô (PFL-AL), que presidia a sessão. (Folhapress)





