Deputados criticam comissão especial do Palácio Iguaçu
A criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) do Palácio Iguaçu para apurar as denúncias de escutas telefônicas ilegais dentro do governo do Estado caiu como uma bomba na Assembléia Legislativa. Os deputados criticaram o que classificam como uma manobra do governador Jaime Lerner (PFL) com o objetivo de esvaziar a CPI da Telefonia, composta por uma maioria oposicionista.
É um desrespeito com o Legislativo. Primeiro eles (governo) queriam impedir que investigássemos os grampos. Agora resolveram mascarar o trabalho da CPI. E ainda por cima estão usando órgãos que têm credibilidade para encobrir esse descalabro, atacou Augustinho Zucchi (PSDB), referindo-se ao Ministério Público (MP), Ordem dos Advogados do Brasil, à própria Assembléia e outras entidades que formarão a CEI palaciana. Ele lembrou que o MP já está participando das apurações da CPI. O comentário foi endossado pela petista Luciana Rafagnin e pelo corregedor da Casa, Caíto Quintana (PMDB).
As críticas mais contundentes, porém, vieram do presidente da CPI, Tony Garcia. O governo não tem isenção para conduzir essas apurações. É mais uma atitude desnecessária do governador. Essa comissão já nasceu morta e a Assembléia não tinha que indicar ninguém, disparou.
O líder dos partidos de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), disse que o governo está tentando colocar panos quentes. O secretário de governo, José Cid Campêlo Filho, garantiu que as apurações serão isentas porque a CEI é formada por diversas entidades e não apenas representantes do primeiro escalão.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), saiu em defesa do Palácio Iguaçu, mas admitiu que a CEI foi criada tardiamente (duas semanas depois das denúncias). De acordo com ele, a CPI da Telefonia está desvirtuando seus propósitos, porque foi criada para apurar denúncias de irregularidades praticadas pelas operadoras e não escutas ilegais. O presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB), também avalia que o governo agiu tarde. (M.D.)





