A venda das ações da Sercomtel S.A. para a Copel inspirou em 1999 a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa do Paraná. Uma das dúvidas dos deputados era justamente o pagamento de R$ 47 milhões ao FonteCindam, mais do que o dobro do valor da dívida original.
Menos de 48 horas após instalar a comissão parlamentar, no entanto, 19 deputados da base de apoio do governador Jaime Lerner (PFL) recuaram e retiraram a assinatura do pedido de instalação da CPI. A decisão inviabilizou a investigação do caso pela Assembléia.
Depoimento da ex-diretora de operações da extinta Companhia Municipal de Urbanização de Londrina (Comurb, atual CMTU), Lúcia Brandão, prestado ao Ministério Público em outubro de 99, sugeria que a CPI só foi abortada porque Belinati teria remetido dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina para deputados estaduais.
Segundo Lúcia, Belinati teria comentado com outro ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso, que precisava ‘‘levantar’’ R$ 3 milhões para entregar a deputados. Ex-prefeito e líderes do governo na Assembléia rechaçaram as acusações.
Na mesma época, a Câmara Municipal de Londrina também discutiu a formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), mas desistiu depois do recuo dos deputados governistas. Uma outra comissão foi formada no ano passado mas acabou arquivada porque Belinati já tinha sido cassado. (L.H)

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