Com o aval do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), um grupo de deputados iniciou um movimento para trabalhar numa agenda de prioridades para o País. O movimento suprapartidário tem o apoio do líder do governo, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), e de outros líderes governistas. Na noite de terça-feira, deputados do PSDB, PFL, PDT, PT, PMDB, PV e PPS reuniram-se na casa do deputado Israel Pinheiro Filho (PFL-MG) para discutir os temas que deveriam constar de uma ‘‘agenda comum’’. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) ficou de reunir as sugestões e entregar a Temer.
O movimento tem como objetivo estimular os deputados a reagir ao desgaste e impopularidade do Legislativo. ‘‘Nossa idéia é construir uma agenda comum para o País, que passe pela discussão e aprovação de projetos destinados a solucionar problemas sociais, do dia-a-dia da população, e os estruturais’’, explicou Miro Teixeira. O deputado José Genoíno (PT-SP) complementou: ‘‘Nós queremos uma agenda alternativa ao governo, sem discriminação da participação de nenhum parlamentar.’
A reação da Câmara incluiria também audiências públicas envolvendo os mais diferentes setores da sociedade, para sugerir soluções a problemas como o desemprego, saúde pública, guerra fiscal, segurança pública, mecanismos de controle externo dos gastos do dinheiro público, entre outros. Ontem, Miro Teixeira e Luís Eduardo Magalhães almoçaram juntos e concordaram na inovação de se produzir um trabalho colegiado no Legislativo. ‘‘Nossa geração tem de dar uma resposta à sociedade’’, defendeu Miro.
As sugestões envolvem desde a mudança no regimento interno da Câmara dos Deputados até a discussão do sistema de governo (proposta do deputado tucano Franco Montoro), reforma eleitoral, do Judiciário, da segurança pública, do sistema tributário e soluções para questões sociais como o desemprego. A mudança no regimento da Casa foi defendida por vários deputados no encontro na residência de Israel Pinheiro. ‘‘Se não fizermos uma mudança inteira no regimento, ninguém vai conseguir participar efetivamente das decisões, que em geral são tomadas por um grupo pequeno de líderes’’, observou o deputado Paulo Bernardo (PT-PR).

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