Curitiba - A Assembléia Legislativa aprovou ontem a criação de uma Comissão Parlamentar do Inquérito (CPI) para apurar a possibilidade de envolvimento do governo do Estado no esquema de escuta telefônica ilegal descoberto na semana passada pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), em Curitiba. O suposto envolvimento do governo estadual se refere à prisão do policial civil Délcio Augusto Rasera, que estava cedido ao Poder Executivo e foi apontado pela PIC como o ''cabeça'' do esquema. A CPI foi sugerida ontem à tarde a partir de um requerimento do líder da oposição, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), e foi aprovada horas depois com a assinatura de 18 parlamentares - número mínimo necessário para a instalação de uma CPI na Casa.
''Não é uma CPI da liderança do governo ou da oposição. É uma CPI suprapartidária. Precisamos descobrir quem Rasera grampeava para chegar até o mandante. Porque Rasera não tinha interesse pessoal no grampo, ele não é candidato a nada. Eu quero chegar no chefe da quadrilha'', disse Rossoni. O deputado estadual Caíto Quintana (PMDB), ex-chefe da Casa Civil, enfatizou o que a assesoria de imprensa do Palácio Iguaçu já havia divulgado na semana passada sobre a posição ocupada por Rasera no Executivo. ''Ele não foi nomeado a nada. Ele estava apenas cedido à Casa Civil. O governador não pode se responsabilizar pelos atos dos funcionários públicos fora do expediente. Existe uma quantidade enorme de funcionários do Executivo, muitos da gestão anterior. O caso do Rasera nada tem a ver com a máquina do Estado'', defendeu o peemedebista.
Para o deputado estadual Nereu Moura (PMDB), a oposição tenta criar ''um factóide'' para prejudicar o desempenho nas urnas do governador licenciado Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição. Moura afirma que não há necessidade de se criar uma CPI para investigar um caso que já está sendo apurado por outros órgãos. Caíto Quintana lembrou da CPI semelhante criada em 2001 na gestão do então governador Jaime Lerner (PSB). ''Funcionários do Palácio Iguaçu estavam sendo grampeados e a oposição em momento algum ligou o fato ao Lerner'', disse.
Rossoni disse que ''não se trata de um caso político, como dizem alguns''. ''Seja quem for o governante de plantão, ele não tem direito de mandar funcionários fazerem grampos'', acusou. A partir de agora, a Casa deve escolher os sete membros que irão integrar a comissão. A ''CPI do Grampo'' terá um prazo de 120 dias para investigar o assunto.
Ontem o deputado estadual José Domingos Scarpellini (PSB), em função da investigação em torno dos grampos telefônicos, protocolou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná uma proposta de ação de investigação judicial eleitoral contra Requião. Na proposta, que ainda pede a cassação do registro do candidato peemedebista, o argumento é de que uma suposta quebra do sigilo telefônico geraria ''desequilíbrio no pleito''. O advogado do PMDB no caso, Guilherme Gonçalves, disse que ainda desconhecia o teor da proposta, mas argumentou que o ''caso Rasera não tem conexão eleitoral''.
Outra representação no TRE foi protocolada contra Requião pela coligação encabeçada pelo senador Osmar Dias (PDT), candidato a governador do Estado. O argumento é de que Requião, na posição de governador licenciado, não poderia ter participado ao lado do parlamentar tucano Hermas Brandão (governador em exercício) do desfile oficial de 7 de Setembro, em Curitiba. A coligação do senador acusa Requião de usar um bem público a favor da sua candidatura. ''Não houve campanha eleitoral. O Requião não fez uso da palavra e só estava lá para prestigiar o evento, assim como poderia ter feito Osmar Dias, na condição de senador'', argumentou Gonçalves.

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