Curitiba - Apesar das dificuldades, no ano passado, para tocar cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) simultaneamente, a Assembléia Legislativa do Paraná não perdeu o gosto pelas CPIs. Pelo contrário. Em ano eleitoral, a projeção e repercussão que as CPIs proporcionam animam os deputados estaduais.
Uma das CPIs, articulada em 2003 e que deve prosperar em 2004, com a retomada em fevereiro dos trabalhos, é a CPI da Terra ou da Questão Agrária. A proposta é do deputado Plauto Miró Guimarães (PFL), que integra a bancada de oposição ao governo Roberto Requião (PMDB).
O deputado diz que quer fazer um raio-x das invasões no Estado, além de levantar números sobre os assentamentos e conferir a situação das famílias de sem-terra. A CPI, que tem o apoio de 20 parlamentares, não foi instalada no ano passado por conta de um acordo político. O presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), pediu que os deputados esperassem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) encaminhasse os dados que a CPI se propunha a apurar. Mas o Incra não forneceu nenhuma informação, segundo Brandão.
Outro tema na mira dos deputados são os contratos de informática do governo Jaime Lerner (PSB). Essa idéia é da atual bancada governista. A situação das universidades estaduais, os gastos da gestão Lerner na construção do Museu Oscar Niemeyer, e o Porto de Paranaguá, como um todo, são outros assuntos que estão sendo cogitados como possíveis linhas de investigação. Para virarem tema de CPIs, dependem de articulação política.
O Regimento Interno da Assembléia limita em cinco o número de CPIs que podem funcionar ao mesmo tempo na Casa. Para o primeiro-secretário, Nereu Moura, (PMDB), a experiência em 2003 deixou claro que a Assembléia não tem estrutura para suportar cinco comissões. ''As CPIs não podem ser banalizadas, senão perdem a credibilidade. Duas ou três é o número ideal para que seja feito um trabalho sério'', avaliou. A Assembléia não tem técnicos suficientes para atender as comissões, além de a presença dos deputados nas votações acabar prejudicada por causa das reuniões das CPIs.
No ano passado, os deputados governistas montaram cinco CPIs sobre o governo Lerner: pedágio, Jogos Mundiais da Natureza, Paranacidade, Banestado e Copel. Das cinco, destacaram-se a da Copel e do Banestado.

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