Os argumentos do secretário estadual da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert, não foram suficientes para convencer deputados da base de sustentação ao governo na Assembléia Legislativa de que a venda é necessária. ‘‘Ele (Ingo) não me convenceu. Continuo contra a privatização’’, declarou o deputado Marcos Isfer (sem partido), resumindo a posição de vários aliados.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), organizador do encontro, na segunda-feira à noite, classificou a reunião como ‘‘boa’’, mas admite que novos debates serão necessários. Na tentativa de reverter opiniões, ele propôs ontem a criação de uma comissão especial suprapartidária para acompanhar todo o processo de privatização. Mas a votação do requerimento sobre o assunto foi adiada e pode acontecer hoje.
Amaral apresentou ainda requerimento para ‘‘convidar’’ Hubert a se pronunciar na Casa. A discussão também foi adiada. O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB) – que não participou da reunião com Hubert – havia proposto a ‘‘convocação’’ do secretário, e não simplesmente um convite. Mas acabou ponderando que o importante é o seu comparecimento. Extra-oficialmente, já foi articulada uma data: dia 27 deste mês. Hubert disse que só se pronuncia quando receber o convite oficial.
A liderança do governo também defende que sejam feitos debates sobre o tema. Dois especialistas defenderiam a privatização – repetindo o discurso de Hubert – e outros dois (que seriam convidados pelo bloco de oposição) se posicionariam contra.
O líder da oposição, Valdir Pugliesi (PMDB), já avisou que as palestras ‘‘não vão adiantar nada’’. ‘‘Nossos argumentos não vão convencer os deputados que querem chegar no interior com um cheque na mão, assim como o governo não vai nos convencer’’, disparou. ‘‘A rebeldia diminui na medida em que se acena com a possibilidade de recursos’’, emendou. Ele é contra a criação da comissão suprapartidária.
Em tese, 40 deputados fazem parte da base governista. Vários já anunciaram que são contra a privatização, como Tony Garcia (PPB), Ricardo Maia (PSB), Algaci Túlio (PTB), Moysés Leônidas (PSB) e Fernando Ribas Carli (PPB).
O líder do governo sustenta que 21 deputados compareceram ao encontro de segunda-feira, que aconteceu a portas fechadas. Nos bastidores, a informação é que apenas 17 (fora Amaral) teriam comparecido. Os líderes dos partidos não apareceram, o que levou o Palácio Iguaçu a chamá-los para esclarecer os motivos da ausência.
Amaral garante que o único assunto debatido foi a Copel e que os deputados não especularam sobre a situação financeira do Estado. Fonte da Folha afirma que a rebeldia dos aliados tem sido alimentada principalmente pela falta de recursos do Estado, o que impede o cumprimento de promessas eleitorais nos municípios.
O pedido de regime de urgência do deputado Nereu Moura (PMDB) na votação do projeto da oposição que revoga a autorização do Estado para vender a Copel foi igualmente adiado, ontem. Ele espera votar o projeto até junho, mas ele corre o risco de não entrar na pauta. Tony Garcia protocolou antes projeto com o mesmo objetivo, o que deve fazer com que a matéria da oposição seja anexada. Garcia é contra a venda, mas se resolver retirar o projeto, o da oposição também ficará fora.

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