Deputados condenam auditoria na Sercomtel
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terça-feira, 22 de março de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados estaduais Barbosa Neto (PDT) e André Vargas (PT) criticaram ontem o pedido de auditoria nas contas da Sercomtel feito pelo governador Roberto Requião (PMDB) no final de semana. Para os dois deputados, a atitude de Requião só serve para depreciar a empresa telefônica. Vargas foi mais longe, acusando Requião de ter pedido a auditoria porque ''não teve um pedido de apadrinhamento'' atendido.
Os motivos do governo para pedir a auditoria seriam problemas de gestão e o baixo lucro que a Sercomtel estaria dando à Copel, empresa do Estado que detém 45% das ações da companhia. A afirmação de Requião causa estranheza, uma vez que o próprio governador sempre defendeu que companhias públicas como a Sanepar e a Copel não devem dar lucro. ''Além disso, uma declaração dessas só serve para espantar os clientes da Sercomtel, o que pode dar mais prejuízo a empresa. Se o governo tem direito a participar do Conselho de Administração, porque não buscou os números dentro da própria Sercomtel, em vez de fazer declarações irresponsáveis?'', questionou Barbosa Neto.
Para Vargas, o motivo do pedido de auditoria foi a recusa da cúpula da Sercomtel em nomear Leonilso Jaqueta (PMDB) para a diretoria financeira da companhia telefônica. ''Esse pedido de auditoria é simplesmente político porque o governador não foi atendido no seu pedido. A Sercomtel não pode servir de espaço para apadrinhamentos'', afirmou Vargas.
A deputada Elza Correia (PMDB) partiu em defesa do governador na Assembléia ontem. Elza, que encabeçava a chapa pela qual Jaqueta disputou as eleições do ano passado, confirmou que havia um acordo para que Jaqueta assumisse a diretoria financeira. ''Eu estava presente quando o governador pediu ao prefeito Nedson Micheletti (PT) para que a diretoria administrativa-financeira fosse desmembrada e que Jaqueta assumisse um cargo. O prefeito falou que não haveria objeções ao nome dele'', confirmou Elza.
A deputada acredita, porém, que a não-indicação de Jaqueta não é o motivo para a auditoria pedida por Requião. ''Não conversei com o governador, mas não é uma questão política. Quem está tentando jogar a discussão para esse lado é a oposição. Acredito que os motivos para a auditoria são técnicos'', disse Elza.


