Deputados, com medo, exigem proteção
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sexta-feira, 31 de maio de 2002
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Deputados federais do PT aguardam para a semana que vem uma resposta do Ministério da Justiça ao pedido de proteção policial aos parlamentares paranaenses ameaçados de sequestros no Paraná por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A solicitação formal foi feita esta semana pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP).
Os deputados federais citados em listagem divulgada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Dálio Zippin Filho, foram Florisvaldo Fier (Doutor Rosinha) e Padre Roque Zimmermann, este pré-candidato do PT ao governo. Estamos com nossos nomes na lista do PCC, o que nos leva a crer que a facção criminosa pensa em fazer sequestros semelhantes, de parlamentares de outros partidos e do próprio PT, em vários estados brasileiros, reclamou Rosinha.
Rosinha criticou ainda o fato de não ter sido avisado pelas autoridades locais do risco de ser sequestrado. Agora me sinto inseguro. Quero que a Polícia Federal me monitore, afirmou ontem. Ele mesmo já montou um esquema de monitoramento com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) em seus deslocamentos pelo interior do Paraná. Estou avisando quando chego num posto rodoviário e informo para onde estou indo. É uma forma de me proteger. Se eu não chegar, eles sabem o que fazer.
A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça informou ontem que o pedido de proteção deverá ser encaminhado na semana que vem para a Polícia Federal. A instituição poderá ou não enviar agentes federais para acompanhar ou monitorar os parlamentares.
Para o deputado Padre Roque a proteção policial é desnecessária. Ele já foi acompanhado durante seis meses por agentes federais na época da CPI Nacional do Narcotráfico e acredita que não teve muitas vantagens. Não estou preocupado com isso. Não vou levar esta ameaça a sério. Não tenho tempo para viver em paranóia.
Também estão na lista divulgada por Zippin, o juiz da Vara de Execuções Penais, Roberto Massaro, o diretor da Penitenciária Central do Estado, coronel João Krainski Neto, e o próprio Zippin. De acordo com as denúncias, eles serviriam como moeda de troca para o PCC exigir a transferência de líderes do grupo, que hoje estão espalhados pelo País.
O secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, admitiu que conhecia a listagem. No entanto, Tavares disse que ela foi investigada e não foi constatada a veracidade das informações.


