Curitiba - A três meses da eleição para a Mesa Executiva da Assembleia Legislativa, o cargo mais disputado nos bastidores é de primeiro-secretário. Só no PMDB, que terá a maior bancada na Casa, são dois candidatos: Luiz Claudio Romanelli e Stephanes Júnior. O deputado Élio Rusch (DEM) declarou ontem que o partido reivindica a posição uma vez que abriu mão da candidatura de Durval Amaral (DEM) à presidência.
Para o cientista político Ricardo Oliveira, a disputa tem razões pragmáticas. ''A primeira-secretaria é responsável pela logística da Casa. Era a preferida do veterano Anibal Curi. De lá, o parlamentar pode fazer clientelismo com os deputados.'' Oliveira diz que a movimentação em torno da eleição se justifica. ''A Mesa é uma Assembleia dentro da Assembleia. É um clube do qual poucos podem participar.''
Para o cientista, o interesse dos deputados é menos nas mudanças na Casa e mais nos cargos e recursos que ter um cargo na Mesa. ''É uma negociação que obedece a uma lógica interna da Assembleia e que não passa pelos partidos'', expõe. Prova disso, diz, seria o desempenho do PMDB nas últimas eleições. ''O partido tinha o governo e maioria na Casa e o presidente eleito da Assembleia é do DEM. Agora, eles continuam a ter maioria, mas se negocia a presidência para o PSDB'', explica.
A eleição da Mesa já causou atritos no PMDB porque a Executiva Estadual defende que a legenda lidere a composição de uma chapa própria. Os deputados da bancada resistem à ideia. ''Essa é uma discussão que vai terminar na eleição municipal de 2012'', defende o secretário-geral do partido, o deputado federal eleito João Arruda.
Ontem o presidente do PT e deputado estadual, Enio Verri, defendeu que se faça ''um debate de propostas'' na Casa. Verri sugere que os candidatos se comprometam com o fim da reeleição. Já Valdir Rossoni (PSDB) - candidato do governador eleito Beto Richa à presidência da Assembleia - defende ''a renovação e a mudança''.
O único que indica que poderá enfrentar Rossoni na eleição é Reni Pereira (PSB), que nega ser candidato, mas já articula um bloco independente com sete deputados do PSC, PSB e PRB.

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