Brasília - A maior parte das emendas individuais dos parlamentares que o governo promete liberar em março para contornar o desgaste do bloqueio de verbas do Orçamento destina recursos de investimentos para a área de saúde. Do R$ 1,48 bilhão previsto para custear as propostas dos deputados e senadores, R$ 734 milhões devem beneficiar o setor de saúde e R$ 289 milhões o de infra-estrutura.
Essa inversão de prioridade dos parlamentares é inédita, mas tem uma explicação política: este ano, tem eleições municipais, e um investimento em saúde tem mais chance de ser liberado, uma vez que a administração federal está obrigada a cumprir o piso constitucional de gastos com a área, projetado em R$ 32,4 bilhões para 2004.
Na bancada do PT na Câmara, 22 deputados poderão disputar a eleição para prefeito e estão interessados na execução das emendas. Cada parlamentar teve R$ 2,5 milhões para distribuir entre projetos do interesse.
O deputado Lindberg Farias (PT-RJ), que é pré-candidato a prefeito de Nova Iguaçu (RJ) usou a dotação para beneficiar três projetos no novo domicílio eleitoral: R$ 950 milhões para o funcionamento da Universidade Federal Fluminense (UFF), situada em Nova Iguaçu, R$ 800 milhões para a instalação de um Espaço Cultural na cidade e R$ 750 milhões para estruturar uma unidade de atenção especializada em saúde.
Já o ex-líder do PT na Câmara Nelson Pelegrino (BA), que deve concorrer a prefeito de Salvador, pulverizou os recursos em 20 emendas que prevêem desde a instalação de postos de saúde até obras de saneamento e construção de ginásios esportivos na Bahia.

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