Deputados buscam agenda alternativa
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sábado, 05 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo folhaApoio de pesoMichel Temer: presidente da Câmara deve assumir a coordenação do movimento O grupo suprapartidário de deputados que pretende mudar os rumos dos trabalhos da Câmara a partir de agosto terá uma agenda própria, sem atrapalhar os projetos em andamento, especialmente a reforma do Estado. Não haverá conflito com a agenda em andamento, especialmente a reforma do Estado, disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que deverá assumir a coordenação do movimento.
Michel Temer disse que a Câmara não pode fugir de sua competência de trabalhar outros temas importantes para o País, sem risco de atrasar a votação das reformas propostas pelo Executivo. Isto aqui não é um movimento de oposição ou de governo, afirmou o deputado Israel Pinheiro Filho (PTB-MG), um dos fundadores do grupo de parlamentares que se propõe a sacudir o Legislativo a partir do mês que vem. Trata-se da criação de uma agenda que discuta os problemas diretamente relacionados com a sociedade.
O momento político pré-eleitoral é também um dos condutores do movimento suprapartidário. A idéia está conquistando a simpatia dos parlamentares e, dizem eles, desta vez pode dar certo. O presidente da Câmara já marcou uma reunião em sua residência na próxima semana para definir a pauta.
Com a reeleição na meta do Palácio do Planalto e a falta de adversários políticos para enfrentar o presidente Fernando Henrique Cardoso, os parlamentares da oposição buscam alternativas de atuação para apresentar aos seus eleitores, enquanto que os outros partidos, acomodados na aliança governista, oferecem menos resistência às teses das esquerdas. Nesse panorama - avaliam deputados experientes - todos ganham se o Congresso aparecer como um pólo de definição política e catalisador de soluções para a sociedade.
Temer incorporou o movimento de tal forma que já antecipou seu desejo na formação da agenda comum que está sendo preparada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), coordenador da ação suprapartidária. O presidente elegeu a reforma política como tema prioritário desta agenda.
O deputado Almino Affonso (PSDB-SP), integrante do grupo, ressaltou que em nenhum momento houve a pretensão de ser um movimento de oposição ao governo. É uma reação à pasmaceira da Câmara, disse ele. Não queremos ficar na dependência da elaboração da agenda do Executivo.
Nas discussões preliminares para a agenda, coube a Almino Affonso a defesa da regulamentação do plebiscito e do referendo popular. Se o assunto já estivesse regulamentado, poderíamos ter discutido reeleição e venda da Vale do Rio Doce sem toda a polêmica que presenciamos, disse.
Parlamentares que apenas assistem à iniciativa de seus colegas avaliam que o início de um debate sobre temas que mobilizem a sociedade poderá desbloquear muitos impasses com relação às reformas. Essa proposta vai criar na Câmara um campo de diálogo entre oposição e situação que a rigor não existe, observou o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PMDB-SP).


