Curitiba - A Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa do Paraná instalada para apurar os gastos do Executivo com publicidade e propaganda só fez uma reunião até agora, mas ontem já deu sinais de total desgaste. O deputado Marcelo Rangel (PPS), autor do requerimento que deu origem à CEI, disse que vai propor um novo grupo para investigar o assunto. Rangel não acredita que o deputado Dobrandino da Silva (PMDB), ex-líder do Governo na Casa, queira de fato comandar as investigações. ''Nunca vi uma CEI que faz reunião só a cada 15 dias'', criticou Rangel.
A idéia é propor uma nova CEI com um número maior de membros - de sete para nove.
O próprio relator da CEI, Reni Pereira (PSB), concorda com a nova estratégia e admitiu ontem que está ''desconfortável'' com o andamento das investigações. ''Se tivéssemos seguido a tradição da Casa, que diz que o autor da proposta é quem deve ser o presidente da CEI, não estaríamos com problemas agora. Se o deputado Rangel fosse o presidente da CEI ele colocaria outro ritmo nas investigações'', admitiu o relator, se referindo ao fato da bancada do Governo, maioria na Casa, não ter dado o comando da CEI ao pepessista.
A primeira reunião da CEI ocorreu terça-feira passada, quando foi decidido o envio de um ofício à Secretaria de Estado de Comunicação Social (SECS) com questões para serem respondidas num prazo de dez dias. Com base nestas informações, a CEI determinaria uma linha de investigação. Ao contrário do que declarou na semana passada, Reni já não acredita na colaboração da SECS. ''O prazo de dez dias que consta no ofício é prorrogável. Se até sexta-feira a gente não tiver resposta, vou reunir a minha bancada e sugerir a minha substituição. Eu não sei escrever com base em nada.''
Dobrandino se irritou com as declarações dos membros da CEI. Ele enfatizou que o prazo dado à SECS ainda não acabou e que, por isso, não vê ''nada de errado'' com a CEI. ''Como é que vamos fazer reunião sem matéria para discutir? O Rangel está com muita pressa. Ele está equivocado'', disse.
Uma das informações solicitadas à SECS é sobre o critério utilizado na distribuição dos recursos para a área. A suspeita é que veículos de restrita circulação, mas alinhados ao governo do Estado, seriam priorizados. Outra questão diz respeito aos valores gastos pela SECS. As quantias exibidas no site do governo do Estado na internet são diferentes dos números que o próprio Executivo enviou ao Tribunal de Contas (TC).

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