Deputados brigam por cargos na AL
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terça-feira, 26 de janeiro de 1999
Leandro Donatti 
A Assembléia Legislativa está em clima de guerra. A eleição da nova mesa executiva, marcada para os dias 2 e 3 de fevereiro, acabou com o recesso e vem tirando o sono de muitos deputados, de olho no poder. Oito cargos estão em jogo, três vice-presidências e cinco secretarias. A reeleição de Aníbal Khury (PFL) é o único ponto pacífico entre os deputados.
A disputa maior é pela primeira secretaria. O PTB rachou internamente. Hermas Brandão, Beto Richa, Cesar Silvestri e Ademar Traiano articulam suas próprias indicações. A queda-de-braço maior é entre Brandão e Traiano. O primeiro tem o apoio de Aníbal Khury. O segundo corre por fora, e até ontem contava com a adesão do líder do governo Valdir Rossoni (PTB).
O segundo cargo mais cobiçado é a segunda secretaria. PPB e PMDB se digladiam pela vaga. O PPB se considera candidato preferencial para a função, por integrar a base aliada do governo na Assembléia. O PMDB se reuniu ontem e deliberou: Orlando Pessuti continua na liderança da bancada e Caíto Quintana é o nome do partido para ocupar espaço na mesa executiva.
A primeira vice-presidência - o titular substitui Aníbal Khury em casos de ausência ou morte - é disputada oficialmente por Neivo Beraldin (PPB) e Algaci Túlio (PTB). Beraldin garante que vai concorrer à função nem que seja para bater chapa.
O PT também não quer ficar fora da composição política da mesa executiva que, além de status, garante poder para barganhas. Ângelo Vanhoni disse ontem que o partido aguarda uma reunião conjunta entre todas as lideranças para se definir o quinhão da sigla. O PSDB também faz parte do jogo de xadrez, coordenado nos bastidores por Aníbal Khury.
As articulações ontem se concentraram na derrubada da candidatura de Traiano. Continuo na guerra até o fim, avisou Traiano. Seus adversários centraram fogo em minar o apoio já declarado por Valdir Rossoni. Ressentido com a queima de seu nome como chefe da Casa Civil, por um grupo de deputados, Rossoni sinalizou que vai investir na campanha de Traiano.
O grupo liderado por Hermas Brandão promete acionar o Palácio Iguaçu se Rossoni não recuar e manter uma postura de neutralidade. No entendimento desses deputados, o líder de Lerner na Assembléia não pode se posicionar por um candidato ou por outro. Até domingo a tarde eu aguardo um acerto no PTB. Se isso não ocorrer, vamos para o voto, disse Rossoni.
Aníbal Khury confirmou a guerra interna entre os deputados e disse que para ele, o ideal seria uma composição entre todas as bancadas, o que liquidaria a eleição num único dia, no dia 2, e lhe garantiria uma reeleição tranquila.


