Professor Lemos, do PT criticou retirada de faixa exposta na UFPR em defesa da educação
Professor Lemos, do PT criticou retirada de faixa exposta na UFPR em defesa da educação | Foto: Daliê Felberg/Alep

Curitiba - Como já era esperado, deputados estaduais do Paraná avaliaram de formas diferentes as manifestações ocorridas nesse domingo (26) em todo o Brasil. Enquanto os mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) comemoraram o bom número de participantes, os de partidos de oposição criticaram as pautas levadas às ruas, que foram desde a reforma da Previdência até a defesa do fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal), por alguns grupos.

Todos os ouvidos pela FOLHA, porém, foram unânimes em repudiar as agressões sofridas por três jornalistas e um estudante que cobriam o ato da Praça Santos Andrade, em Curitiba. Um dos principais aliados do presidente, Delegado Fernando Francischini (PSL-PR) concedeu entrevista coletiva a respeito, durante a sessão plenária na AL (Assembleia Legislativa).

“O que nós programamos e pedimos foi atendido, de não ter radicalismos. Sempre, em qualquer manifestação, tem um ponto fora da curva, em algum lugar, e que nós repudiamos, principalmente qualquer atentado à liberdade de expressão, liberdade de imprensa. Isso é ponto fora da curva para nós. Mas a grande maioria, 99%, foi pacífica, foi ordeira. Muitas pessoas nas ruas. Foi do mesmo tamanho que fizemos no impeachment”, avaliou Francischini.

Segundo ele, a participação popular nos atos demonstra que os eleitores estão de olho no Congresso Nacional. “Eles esperam resultado e não querem a volta do status quo. A maioria entendeu o recado. O presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o presidente do Senado [Davi Alcolumbre (DEM-AP)] estão acenando formas para botar a economia de volta na linha do crescimento”.

O parlamentar reiterou que o ataque aos jornalistas não foi apoiado nem incentivado pela organização. “Havia vários movimentos, e com certeza isso não pode fazer que uma manifestação de mais de 50 mil pessoas não tenha efeito. Em outras manifestações vimos ônibus queimados, no Rio de Janeiro, e coisas piores acontecendo, e não podemos aceitar que agressão ao profissional ocorra”, completou.

AGRESSÕES

Conforme o SindijorPR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná), os repórteres fotográficos Hedeson Alves, da Gazeta do Povo, Franklin Freitas, do jornal Bem Paraná, e Giorgia Prates, do Plural, levaram socos, empurrões e ouviram palavrões de manifestantes na capital paranaense. O estudante de jornalismo Hiago Zanolla também sofreu violência enquanto cobria o evento para o jornal laboratório da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

“As manifestações foram naturais. Se tem um lado bom é que não aconteceu nenhum tipo de violência”, afirmou o líder do governo Ratinho Junior (PSD) na Casa, Hussein Bakri (PSD). Questionado sobre as agressões a profissionais de imprensa, ele disse não saber. “Peço desculpas, mas não tinha essa informação, a qual eu lamento profundamente. Isso é repugnante”.

Já sobre o ato em si Bakri reiterou que o importante agora é “fazer o País andar”. “Precisamos de resultado, que o preço do combustível volte a patamares normais, que a economia volte a andar e que tenhamos as reformas aprovadas”, argumentou.

“As ruas não têm dono. Elas são do povo. Todas as reivindicações são legítimas, a gente concorde ou não. Teve manifestante falando a favor da reforma da Previdência e nós somos contrários. Teve manifestante que foi retirar faixa da universidade... A gente acredita que nas universidades não pode ter corte [de verbas].”, avaliou Professor Lemos (PT).

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. | Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

RETIRADA DA FAIXA A FAVOR DA EDUCAÇÃO

A retirada da faixa com os dizeres “Em defesa da Educação” das escadarias da UFPR também repercutiu na Assembleia Legislativa. No lugar, foram colocadas outras duas: "Olavo tem Razão" e Lava Jato: eu apoio”. Em pronunciamento da tribuna, o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), falou que todos têm o direito de se manifestar pacificamente, mas que o registrado domingo (26) foi inaceitável. “Seria patético, mas não é patético. É a expressão do atraso elevada à última potência. Arrancar uma faixa de quem defende a educação pública é de uma imbecilidade, uma estupidez...”, criticou.

Para o Delegado Fernando Francischini (PSL), o que houve foi uma disputada ideológica. “Acho que [a faixa] não era o objetivo. O objetivo era apoiar a reforma da Previdência e o pacote anticrime do ministro Sergio Moro. Mas sempre tem pessoas querendo uma repercussão maior de um ato individual. Eu não vejo também ninguém apoiado pelos nossos grupos ir na manifestação chamada por eles em defesa da educação com uma faixa do Bolsonaro. A gente tem que entender que existem grupos minoritários de ambos os lados, que querem chamar atenção".

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