Deputados aprovam verbas para o Haiti
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - A Câmara dos Deputados aprovou ontem a liberação de R$ 132,4 milhões para a manutenção das tropas brasileiras no Haiti numa das mais tumultuadas sessões da convocação extraordinária. O crédito foi embutido numa medida provisória que liberou R$ 1,4 bilhão para os Ministério da Educação, Saúde e Defesa. A MP foi aprovada por 279 votos favoráveis, 99 contrários e três abstenções.
Os parlamentares de oposição atacaram a medida, tentaram vetar a liberação dos R$ 132,4 milhões para as tropas que estão no Haiti e argumentaram que essa é uma decisão ''errônea''. O líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), ainda tentou aprovar um destaque que proibiria a liberação do dinheiro. Foi derrotado.
''Cometemos um erro ao não estabelecer no decreto que autorizou a missão no Haiti um prazo para a permanência das tropas'', disse o deputado. ''O Haiti é no Rio de Janeiro; o Haiti é na periferia de São Paulo. No Rio de Janeiro, há 10 milhões de habitantes; no Haiti, há 8 milhões de habitantes. E o Brasil investe muito mais na segurança pública, com insucesso, no Haiti, do que na segurança pública do povo do Rio de Janeiro'', atacou Aleluia. ''Previ, no passado, que o Brasil estava entrando em uma aventura sem fim. O Haiti é uma aventura sem fim. Posso até dizer que as possibilidades de se retirarem com sucesso as tropas brasileiras do Haiti são mais remotas do que as possibilidades de os americanos se retirarem do Iraque'', disse o líder da minoria.
Na defesa da liberação dos R$ 132,4 milhões, o deputado Fernando Ferro (PE), que exercia interinamente a liderança do PT, disse que o envio de tropas para o Haiti foi uma imposição da Organização das Nações Unidas (ONU). ''O Brasil está no Haiti por convocação da ONU e dos países do Caribe e por decisão desta Casa e do Presidente da República, que concordou com o apelo internacional'', disse ele. ''Cerca de 70% dos gastos com a missão no Haiti serão devolvidos pela ONU ao Brasil. Portanto, é falacioso o argumento de que estamos gastando mais dinheiro fora do que no combate à violência no Rio de Janeiro.''


