Curitiba - Os deputados Edson Praczyk (PL) e Renato Gaúcho (PDT) foram ouvidos ontem pela Comissão de Ética da Assembléia Legislativa e amenizaram as denúncias de oferecimento de verbas publicitárias pelo Governo do Estado em troca de apoio. No último dia 9, o governador Roberto Requião (PMDB) afirmou que Praczyk pediu R$ 45 mil por mês para votar com o governo. O deputado se defendeu afirmando em plenário que foi o Governo quem fez a oferta a ele e mais os deputados Renato Gaúcho (PDT) e Mauro Moraes (PL).
O depoimento foi mais leve, parecido com o que já havia sido dito, porém com uma contradição. Ao se defender das denúncias, no último dia 13, Praczyk afirmou, e Renato Gaúcho confirmou, que o governo do Estado pediu que os três deputados indicassem rádios para receber verba publicitária do governo. Na ocasião, Praczyk alegou que foi à reunião ''imaginando que seria prestigiado com emendas'' ao orçamento. Já ontem, Praczyk e Gaúcho afirmaram que não imaginaram que a oferta de verba publicitária era para ''comprar apoio'' e que, inclusive, eles sugeriram que a publicidade fosse testemunhal (quando o locutor faz pessoalmente a propaganda e geralmente ganha por isso).
Praczyk afirmou que a propaganda testemunhal foi ''apenas uma sugestão dada por Gaúcho ao governo e que não foi mencionada antes por esquecimento.'' Porém, os deputados alegaram, há dez dias, que recusaram a oferta porque não são proprietários de rádios, mas sim trabalham como radialistas. No depoimento, os deputados voltaram a alegar que em momento nenhum se falou em valores, como afirmou Requião, e que o deputado Mauro Moraes ouviu a oferta. Moraes nega. Depois de ouvi-los, o presidente da Comissão de Ética, Nelson Garcia (PSDB), afirmou que ainda não há indícios de compra e venda de apoio.
Na semana que vem devem ser ouvidos os deputados Chico Noroeste (PL) e Moraes. Na terça-feira depõem o ex-líder do governo na Assembléia, Natálio Stica (PT), que teria agendado outras reuniões entre deputados e membros do governo, e o atual líder, Dobrandino da Silva (PMDB), que articulou a última reunião. Na quarta-feira, a Comissão pretende ouvir o secretário de Estado da Comunicação, Airton Pisseti.

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