Deputados adiam julgamento de cassação para 98
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terça-feira, 02 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O julgamento dos processos de cassação de deputados acusados de usar o mandato para obter dinheiro de forma irregular foi adiado para 98. Os pedidos de cassação não entraram na pauta do esforço concentrado, que contém 26 projetos que deverão ser votados nesta semana pela Câmara.
Para tentar cumprir a pauta, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), convocou sessões para sexta-feira. O deputado que faltar às sessões terá seu salário reduzido em R$ 1.000 por ausência. Os processos de cassação não foram incluídos na pauta porque uma eventual absolvição dos acusados poderia anular o esforço de Temer de tentar encerrar o ano com uma imagem positiva de trabalho. O tema é muito polêmico, afirmou Temer.
O deputado Chicão Brígido (PMDB-AC) é acusado de alugar seu mandato para a suplente Adelaide Neri (PMDB-AC). Chicão cobrava da suplente o salário extra da convocação extraordinária, parte dos salários dos funcionários do gabinete e cotas de passagens aéreas. Ele confirmou as acusações na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Em outro processo de cassação, Chicão Brígido é acusado, junto com Osmir Lima (PFL-AC) e Zila Bezerra (PFL-AC), de ter recebido R$ 200 mil em troca de voto favorável à reeleição de FHC.
O processo mais antigo é o do deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO), acusado de ter cobrado propina para manter os recursos destinados à barragem do Castanhão (Ceará) no Orçamento da União. Ele teria cobrado 4% do total de R$ 43 milhões da Andrade Gutierrez.
Nesta semana, a Câmara deve votar dois projetos polêmicos: o que autoriza o aborto na rede pública de saúde nos casos de estupro e de risco de vida e o que permite a união civil de pessoas do mesmo sexo.


