Deputados do chamado ''baixo clero'' parlamentares que não têm cargos de destaque na Assembléia Legislativa ou representam menos municípios estão revoltados com um grupo de deputados que tem mais poder na Casa. A informação que circula nos corredores da assembléia, não confirmada oficialmente, é que apenas alguns aliados mais ligados ao governo estariam conseguindo a liberação de recursos para suas bases eleitorais.

O cumprimento de emendas e a liberação de recursos para viabilizar obras fazem parte da reivindicação dos 30 governistas, que se recusam a ficar apenas com o desgaste de ter rejeitado o projeto popular que impedia a venda da Copel. De olho da reeleição, eles querem garantir melhorias nos municípios que representam.

Mas o secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert, já avisou que novos convênios poderão ser firmados apenas em janeiro. Ele prometeu cumprir as obras prometidas, mas os governistas reclamam que, na prática, nada mudou. Em protesto, grande parte dos aliados deixou de comparecer às últimas sessões plenárias, inviabilizando as votações. Na avaliação de alguns deputados, o governo tenta ganhar tempo com as promessas, para conseguir aprovar as matérias de seu interesse.

Em relação aos convênios, o governo pediu fôlego aos deputados, até o ano que vem. No entanto, os parlamentares têm pressa. Eles pretendem votar, na próxima semana, um projeto para que as emendas deste ano possam ser modificadas e cumpridas.

Estariam conseguindo levar recursos a seus municípios o primeiro-secretário da Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), o líder do governo, Durval Amaral (PFL), o vice-líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), e o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB).

Rossoni ex-líder do governo garantiu que ninguém está conseguindo a liberação de recursos. ''Não conseguimos o cumprimento de emendas. O que o governo fez foi pagar as dívidas que tinha com os municípios, e pretende zerar o que deve até dezembro'', disse. ''Por isso, quem representa mais municípios, recebeu mais. Só isso'', completou.

Rossoni representa 35 municípios. Ele acredita que o problema foi contornado e que a bancada governista estará no plenário segunda-feira, possibilitando as votações.

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