Deputados acompanham trabalho do MP
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Os deputados federais da CPI do Narcotráfico resolveram criar uma Comissão Processante (CP) para acompanhar as investigações que serão realizadas, a partir de agora, pelo Ministério Público Federal (MPF). A intenção é evitar que as denúncias apresentadas não tenham o encaminhamento devido na Justiça. Tememos que não haja um encaminhamento de todas estas denúncias no futuro. Por isto, vamos acompanhar de perto todas as investigações a partir de agora, destacou o deputado federal Pompeo de Mattos (PT-RS).
Ele avaliou que os parlamentares fizeram um trabalho sem precedentes na história da Câmara e conseguiram a cassação de mandato de dois deputados federais, além da prisão de quadrilhas especializadas no tráfico de drogas. O número de indiciados é recorde e não fizemos isto aleatoriamente. Temos provas contundentes dos citados no relatório final, declarou, em entrevista à Folha.
Apesar do volume dos trabalhos, Pompeo de Mattos disse que em alguns estados muita coisa terá que ser feita. É o caso do Paraná, onde o processo de investigação apenas começou. As investigações no Paraná estão em fase inicial, até por ter sido um dos últimos estados visitados. Mas vamos estar junto com o Ministério Público Federal para garantir a continuidade, avaliou.
Os deputados sugeriram algumas modificações na legislação. Entre elas, dobrar a pena dos traficantes que usem crianças e adolescentes como laranjas, criação de uma comissão permanente de segurança pública contra o crime organizado e o narcotráfico, negociação mais eficaz de diminuição de pena de presos que delatarem o crime organizado, criação de legislação para impedir a lavagem de dinheiro com um cadastro nacional das contas bancárias unificado e outro cadastro nacional de usuários de telecomunicações, transformação do roubo de cargas em crime federal.
Outro pedido dos deputados é dar mais poder à CPI, impedindo que casos como no Paraná, em que o delegado João Ricardo Kepes Noronha (ex-delegado geral da Polícia Civil) resolveu não comparecer a depoimentos na comissão, sejam rotineiros. Queremos que a ausência em uma CPI seja um crime inafiançável. A pessoa tem que saber que a CPI é a maior instância do País, salientou.


