Curitiba - Durou apenas treze minutos a sessão extraordinária de ontem à noite, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Os deputados estaduais foram convocados às pressas para votar dois projetos de interesse do Executivo. Um amplia o programa Luz Fraterna (dando isenção de tarifa a quem gasta até 120 KWh) e o outro foi enviado pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, pedindo autorização dos políticos para "emprestar" 30% dos depósitos judiciais não tributários (que não envolvem o governo estadual) à administração Beto Richa (PSDB).

Só não houve votação ontem por conta do regimento interno da Assembleia, que impede a manobra. Há a exigência de um intervalo de 24 horas entre a convocação de comissão geral e a realização dela em plenário. Com o expediente, os dois projetos que teriam passagem obrigatória pelas comissões da AL terão essa etapa dispensada. Tudo será discutido e votado hoje após às 18 horas, encurtando para apenas dois dias uma tramitação que demora geralmente um mês.

O presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), disse que recebeu o pedido de urgência do Palácio Iguaçu às 18 horas de terça-feira. Com isso, ele convocou as sessões extras no menor prazo possível, que é com apenas um dia de antecedência. Os parlamentares foram convocados por email, mas o líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), e o deputado Alexandre Curi (PMDB) telefonaram para líderes de bancada. Ontem era preciso um quórum de 18 parlamentares, mas compareceram 35 dos 54 deputados. Para a votação, hoje, são necessários 28 votos a favor para aprovar os projetos.

A bancada de oposição não compareceu ontem e promete faltar hoje à sessão, por discordar da urgência imprimida às votações. Perguntado sobre o motivo de acelerar a votação, Traiano disse que o Estado "tem graves problemas de fluxo de caixa, causado pela queda nos repasses federais". Fontes do governo avaliam que até R$ 2 bilhões podem ser imediatamente repassados aos cofres públicos. Traiano disse que a transferência de recursos era estudada há sete meses entre o Judiciário e o Executivo.

O líder do governo negou que a liberação do dinheiro estivesse atrelada ao apoio da bancada governista na AL à candidatura do filho de Clayton Camargo, presidente do TJ, a uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas (TC) do Estado. O "empréstimo" dos depósitos judiciais foi sinalizado pelo TJ no mesmo dia em que Fábio Camargo foi nomeado para o cargo no TC.

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