Deputados aceitam investigar Banestado
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sábado, 08 de fevereiro de 2003
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Se depender da bancada de situação da Assembléia Legislativa, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) vai mesmo investigar as denúncias de lavagem de dinheiro envolvendo a agência do Banestado em Nova York, bem como a gerência das agências de Foz do Iguaçu, por onde o dinheiro saía do Brasil. O Sindicato dos Bancários fez um manifesto na última quinta-feira, pedindo aos deputados que investiguem o esquema, que teria sido responsável pela evasão de cerca de US$ 30 bilhões do Brasil, entre os anos de 1992 e 1998.
O líder do governo na Assembléia, deputado Ângelo Vanhoni (PT), disse que vê com bons olhos a instalação da CPI. ''Aconteceram irregularidades gravíssimas no banco nesse período e certamente esse assunto estará na pauta da Assembléia já na primeira semana de trabalho'', defendeu.
O deputado ressaltou que enquanto os esquemas de corrupção se desenrolavam dentro do banco, a dívida da instituição ganhou proporções astronômicas. ''Quando o governo começou a falar em privatizar o Banestado, a dívida era de R$ 1,3 bilhões. Quando a venda foi concretizada, a dívida já estava em R$ 5 bilhões. Os paranaenses ainda pagam R$ 30 milhões por mês para cobrir essa dívida'', disse o deputado.
O peemedebista Nereu Moura, que promete iniciar a coleta de assinaturas para outras três CPIs já na segunda-feira, disse que os deputados podem colaborar com esse novo processo de transparência que a sociedade passa a exigir. As três CPIs que Moura pretende instalar até o dia 20 são para investigar o pedágio, a realização dos Jogos da Natureza e os contratos de terceirização de serviços do governo estadual.
O presidente da casa, Hermas Brandão (PSDB), explicou que existe possibilidade de instalação de cinco CPIs na Assembléia. Portanto, além das três que já estão definidas, há condições para instalação de outras duas comissões. ''O governo tem a base de sustentação necessária para propor uma CPI. Se for do interesse do governo, certamente a CPI do Banestado sairá'', acredita.
Mas o presidente teme que os deputados não tenham condições técnicas de ter acesso a todos os dados, sem que o Banco Central se disponha a colaborar. ''Será preciso analisar muito bem as condições de trabalho antes de propor essa CPI'', pondera.
Vanhoni acredita que o acesso a informações não será uma dificuldade. ''A Assembléia tem condições de obter toda a documentação que não estiver sob sigilo da Justiça, ou que seja impedido pela legislação federal'', explicou. Outra vantagem da insvestigação via Câmara, segundo Moura, é que no processo comandado pelos parlamentares os prazos são abreviados, o que tornaria a investigação muito mais rápida.


