Deputado volta para a 'bancada da bala' em Brasília
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sexta-feira, 08 de maio de 2015
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba - O deputado federal Fernando Francischini (SD) foi um dos primeiros nomes anunciados pelo governador Beto Richa (PSDB) para compor o secretariado do seu segundo mandato à frente do Palácio Iguaçu. Francischini assumiu com a promessa de ser o homem forte da segurança no Estado, tanto que abocanhou para a sua pasta a administração das penitenciárias, antes sob a coordenação da Secretaria de Justiça. Não foi a primeira vez que ele trabalhou com o governador. Em 2008, quando prefeito de Curitiba, Beto convidou o deputado para chefiar a primeira Secretaria Municipal Antidrogas do País.
Francischini nasceu em Londrina no dia 26 de março de 1970. Ele foi delegado da Polícia Federal (PF) e seu currículo destaca a coordenação das investigações que resultaram nas prisões dos megatraficantes Juan Carlos Ramírez Abadía e Fernandinho Beira-Mar, bem como do contrabandista Law Kin Chong. Ele foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2010 com 130 mil votos, pelo PSDB. Em 2014 foi reeleito deputado federal com 159.569 votos, pelo Solidariedade.
O ex-secretário de Segurança do Paraná volta agora a ser um nome forte da chamada "bancada da bala" do Congresso Nacional. Em sua página no Facebook, Francischini reforça ao máximo o perfil de policial "linha dura" e "tolerância zero", se classificando como um político conservador e postando muitas fotos de criminosos presos e posts em favor da liberação das armas. Lembrando que em 2010, uma de suas doadoras de campanha foi a Taurus Blindagens, subsidiária da fabricante de pistolas e revólveres.
Em menos de cinco meses na Segurança, Fernando Francischini se envolveu em três situações polêmicas que chamaram a atenção da imprensa nacional. A primeira, em janeiro, quando ele usou a farda de verão dos bombeiros para acompanhar o trabalho da corporação no Litoral do Paraná. A tatuagem de um dragão que o ex-secretário traz no braço esquerdo foi apagada por meio de edição de imagens em fotos de divulgação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Na época, ele disse que a remoção da tatuagem por edição partiu de alguém da própria assessoria de imprensa do governo e que ele não estava preocupado com a veiculação daquela imagem.
Depois, em fevereiro, durante protesto dos servidores estaduais, Francischini coordenou a entrada dos deputados da base do governador na Assembleia Legislativa (AL) dentro de um camburão. Eles pretendiam votar a reforma do fundo previdenciário por meio da extinta Comissão-Geral. A terceira polêmica também envolvendo os servidores, principalmente, os professores, foi a ação violenta da PM contra manifestantes, no dia 29 de abril, no Centro Cívico. Mais de 200 pessoas ficaram feridas e foi esse episódio que acabou motivando a saída do ex-secretário e mais dois nomes do primeiro escalão: o ex-secretário de Educação Fernando Xavier Ferreira e o ex-comandante da PM César Kogut.


