Deputado tucano 'ressuscita' a proposta de parlamentarismo
A discussão do parlamentarismo volta, esta semana, à pauta do Congresso Nacional. O deputado André Franco Montoro (PSDB-SP) apresentou requerimento à Câmara dos Deputados pedindo o desarquivamento da proposta de emenda constitucional que institui o sistema parlamentarista no País, apresentada pelo PT em 1995. O deputado tucano também está propondo a instalação de uma comissão especial para discutir a reforma política, cuja tramitação está adiantada no Senado.
Mas o trabalho do Congresso só ganhará novo impulso depois do feriado da Páscoa. A Câmara também deve apresentar suas sugestões, diz Montoro. As comissões serão abertas em abril, adiantou ele, que garante ter o apoio de todos os partidos políticos. Segundo ele, se for aprovado, o sistema parlamentarista entrará em vigor no Brasil apenas em 2003 e após quatro anos de sua implantação será realizado um referendo popular para saber se a população está satisfeita com o novo sistema. Não tem casuísmo nenhum, garante o deputado.
O parlamentarismo é uma das velhas bandeiras do PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, e tem o apoio de setores dos outros partidos aliados ao governo e da oposição. Eu luto pelo parlamentarismo há muito tempo; é um modelo muito mais perfeito que o presidencialismo, justifica Montoro. O presidencialismo é um convite à fisiologia.
Montoro critica o que considera um excesso de poder delegado ao presidente da República, um poder pessoal e soberano, promovido pelo sistema presidencialista. Graças a Deus o Fernando Henrique não abusa disso em proveito próprio, ele avalia. O PSDB defende o parlamentarismo misto, modelo adotado por Portugal e França em que, além do presidente da República, tem-se o primeiro ministro e ambos prestam contas ao Congresso permanentemente. No Brasil, tudo depende de um único homem, frisa Montoro.
O deputado paulista acredita que a emenda do parlamentarismo pode ser aprovada ainda este ano, longe das eleições municipais do ano 2000. Montoro avisou ao presidente Fernando Henrique sua decisão de ressuscitar a discussão do parlamentarismo antes de apresentar o seu requerimento. O governo não tem nada a ver com isso, é uma discussão do Congresso, comenta Montoro, descartando interesse ou interferência do Palácio do Planalto em sua decisão.
O debate sobre a reforma política, afirma Franco Montoro, deverá incluir todas as propostas (são cerca de 30) sobre o tema que estão paradas na Câmara. O deputado e ex-governador tucano assina duas propostas de emenda constitucional - uma que institui o voto distrital misto e outra que trata da fidelidade partidária. Ele acredita que não haverá confronto com o Senado, que tomou para si a atribuição de votar a reforma política.
Pela proposta de Montoro, o Brasil adotaria o voto distrital misto, seguindo o modelo alemão, em que metade dos parlamentares é eleita pelo distrito e a outra metade, por uma lista partidária aprovada em convenção dos partidos. O eleitor vota duas vezes, no candidato do seu distrito e em uma legenda, explica o deputado tucano. São eleitos os candidatos mais votados em cada distrito e o que foram mais votado na lista dos partidos.
Nesta semana, a comissão especial que está apreciando a reforma tributária vai ouvir do relator da emenda, deputado Mussa Demes (PFL-PI), um balanço sobre as discussões. Demes deverá fazer um relato sobre os termos de seu substitutivo, que estará aberto para o recebimento de emendas a partir do próximo dia 7. A bancada governista pretende votar a reforma tributária no início de agosto.
Os deputados ainda aguardam a indicação de um interlocutor do governo para debater a proposta, o que deve acontecer nos próximos dias. Sob pressão dos caciques aliados, principalmente os do PMDB, o presidente Fernando Henrique Cardoso passou a apoiar a urgência da reforma tributária, o que deve abreviar as resistências ao tema.
O presidente da Câmara, Michel Temer, também promete instalar na próxima terça-feira a comissão especial que vai apreciar a reforma do Judiciário. É um contraponto a ação do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que ainda articula a abertura da CPI do Judiciário, o que poderá acontecer depois do feriado da Páscoa.
Embora tenha mais assinaturas do que necessário, o cacique baiano enfrenta dificuldades para conseguir o apoio do PMDB, que exige a instalação de outra CPI, para investigar supostas irregularidades cometidas por instituições financeiras durante a desvalorização do real. Os partidos de oposição fizeram diversas denúncias sobre bancos que teriam lucrado com a queda brusca do real e o PMDB quer investigá-las.
Também esta prevista, para a próxima semana, a realização da primeira de uma série de audiências públicas na Comissão do Trabalho da Câmara para discutir o aumento do salário mínimo. O deputado Paulo Paim (PT-RS) conseguiu aprovar requerimento estabelecendo um cronograma de discussões envolvendo representantes dos sindicatos e ministros de Estado. A comissão pretende fechar, até o final de abril, uma proposta de reajuste salarial, que será levada ao governo federal.Arquivo FolhaArgumentoFranco Montoro: Luto pelo parlamentarismo há muito tempo; o presidencialismo é um convite à fisiologiaDoca de Oliveira
da Agência Estado





