O Movimento pela Moralização da Administração Pública de Londrina divulgou no final da tarde de ontem quase 30 depoimentos que constam da medida cautelar proposta sexta-feira. Um dos depoimentos que chamam a atenção é de Léo Carlos Petry, gerente da empresa Turista Câmbio Viagens e Turismo Ltda, de São Paulo. No dia 5 de outubro, Petry declarou ao Ministério Público que, a pedido de Janene, fez uma operação de câmbio que envolvia quatro cheques da empresa L.C. Máquinas e Equipamentos, no valor de R$ 330 mil. A L.C. é uma empresa de Luiz Carlos Brandão – irmão da ex-diretora de Operações da Comurb, Lúcia Brandão – e teria ‘‘lavado’’ parte do dinheiro desviado da prefeitura.
O gerente disse aos promotores que foi apresentado a Janene no final de 97 ou começo de 98 por um empresário chamado ‘‘Armando’’. Em maio ou junho de 99, o deputado ligou para Petry informando que uma pessoa iria procurá-lo para efetuar uma operação de câmbio. Três dias depois, essa pessoa compareceu à Turist com quatro cheques, três no valor de R$ 100 mil e um de R$ 30 mil. Os quatro cheques seriam da L.C.
A intenção, segundo o depoimento, era trocar os cheques por dólares. Petry sugeriu que o negócio fosse registrado, mas a pessoa – após consulta feita supostamente a Janene pelo celular – não aceitou. Para não perder o negócio, o gerente então propôs deixar os cheques com ele para que fossem resgatados depois de 30 ou 40 dias. O valor correspondia a US$ 170 mil.
Poucos dias depois, disse Petry, os cheques foram depositados por empréstimo na conta da Bônus Corretora, também de São Paulo. Quando venceu o prazo de 40 dias, o próprio Janene ligou cobrando o resgate do dinheiro. Petry devolveu em reais o valor correspondente a US$ 170 mil.
A Folha não conseguiu localizar José Janene ontem para responder as acusações. Segundo uma funcionária do gabinete do deputado em Brasília (DF), chamada Leda, ontem à tarde Janene estaria em trânsito para Londrina, com escala em São Paulo. Mas o vôo teria atrasado mais de uma hora. Até por volta das 21 horas, os dois celulares do deputado continuavam desligados. (L.H.)

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