Abnor Gondim e Paulo Mota
Agência Folha De Rio Branco
O novo juiz da Vara de Execuções Penais de Rio Branco, Marcelo Badaró, determinou ontem a prisão de Sandroneto Alves da Silva, de 30 anos, irmão do novo deputado do Acre, José Aleksandro da Silva (PFL), o ‘‘Zé Alex’’. Ele assumiu a vaga de Hildebrando Pascoal, cassado e preso na semana passada. O juiz determinou também a prisão do industrial Francisco de Souza Farias, de 56 anos, o ‘‘Cai-Cai’’, amigo da família Pascoal e de pelo menos um desembargador da Justiça do Acre.
Cai-Cai, preso ontem à tarde, foi condenado a 25 anos de prisão por homicídio e por ter sido flagrado em 1982 com 100 kg de cocaína em São Paulo. Assim como Sandroneto, Cai-Cai cumpria a pena em casa. Além deles, foram presos mais 14 condenados por tráfico de drogas e assassinatos que estavam cumprindo irregularmente prisão domiciliar. Sandroneto é o terceiro parente do deputado José Aleksandro preso desde a semana passada.
Também foram presos em Rio Branco e transferidos para Brasília outro irmão do deputado, Alexandre Alves da Silva, e o tio dele José Filho de Andrade, que é policial civil e foi nomeado por Aleksandro para comandar a segurança da Câmara. Ambos foram acusados de integrar quadrilha que seria liderada por Pascoal.
Sandroneto e Cai-Cai constavam da relação de 24 condenados que haviam sido soltos irregularmente em maio de 97. Eles foram mandados de volta à prisão no início deste mês pelo juiz Marcos Thadeu Matias. Um dia depois de tomar a decisão, Matias foi substituído pelo juiz Pedro Ranzi.
No primeiro dia de trabalho após o afastamento de Matias, Ranzi restabeleceu as prisões domiciliares dos 24 condenados, as quais ele próprio havia concedido aos condenados dois anos antes.
A troca de juízes foi repudiada pela Associação dos Magistrados Acreanos. Uma auditoria realizada na Vara de Execuções Penais constatou irregularidades e culminou, na semana passada, com o afastamento de Ranzi. A auditoria recomendou o recolhimento dos 24 condenados à penitenciária de Rio Branco.
Sandroneto e Alexandre foram condenados por terem assassinado em novembro de 1990, Ana Cláudia Rocha Lopes, amante do pai deles. ‘‘A amante provocou a mãe e irritou os irmãos. Mas esse crime não tem nada a ver com o Aleksandro’’, disse o advogado Ruy Duarte, que defende o deputado e seus parentes.
A reportagem da ‘‘Folha de S.Paulo’’ publicada ontem apontou que, antes de ser afastado, o juiz Matias foi visitado por supostos amigos de Cai-Cai, o desembargador Ciro Facundo e o deputado estadual Aureliano Pascoal (PL), primo de Hildebrando. Ao voltar à cadeia, Cai-Cai negou que tenha acionado amigos para pressionar o juiz Matias.
Ontem, o procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza, principal responsável pelas investigações que resultaram na prisão do ex-deputado Hildebrando Pascoal e de mais 27 acusados de assassinatos e narcotráfico no Acre, defendeu o acesso público obrigatório a processos e inquéritos que envolvam autoridades. ‘‘Quem defende a obscuridade ou dificulta o acesso às investigações criminais sobre homens públicos ou está querendo que reine o narcotráfico e a corrupção, que já reina demais no País, ou não quer Justiça’’, disse o procurador.

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