O deputado Irineu Colombo (PT), da bancada de oposição ao governo na Assembléia Legislativa, diz não estar surpreso com ‘‘a falta de divulgação de informações e a demora do Tribunal de Contas’’. ‘‘Os processos demoram para tramitar porque não há isenção política por parte do TC. Muitos integrantes têm estreitas ligações com as prefeituras de Londrina e Maringá, o que torna as decisões muito mais políticas do que técnicas’’, critica o deputado.
De acordo com ele, tanto o prefeito afastado Antonio Belinati quanto o ex-secretário Luis Antônio Paolicchi teriam influência junto ao TC, o que estaria provocando o atraso no andamento das investigações.
No caso das apurações feitas pelo Ministério Público, as conquistas são mais visíveis: Paolicchi foi preso e Belinati cassado. Mesmo ainda não tendo sido feita nenhuma prisão em Londrina, o procurador-geral do Ministério Público no Paraná, Marco Antonio Teixeira, afirma que os dois casos – que continuam sendo apurados pelo MP – são diferentes e não podem ser avaliados com base em prisões. ‘‘Não se pode afirmar que em Maringá as investigações são mais eficientes porque o Paolicchi foi preso. Em Londrina, um prefeito foi afastado. São duas conquistas’’, avalia.
Para Teixeira, os casos são comparáveis apenas na revolta que causam na sociedade. ‘‘São semelhantes somente na indignação que geram, por serem ambos de dilapidação do patrimônio público.’’
Segundo Teixeira, o caso de Londrina não pode ser considerado mais lento ou menos produtivo por não ter resultado em prisão. ‘‘Não há erros de estratégia dos promotores. Os encarregados dos casos estão fazendo excelente trabalho’’, elogia. ‘‘Além disso, são mais 116 réus, entre políticos, empresários e figuras de expressão que estão sendo investigadas, o que demanda tempo.’’ Ele citou ainda como resultado a prisão do empresário-doleiro Alberto Youssef.
Ainda sobre as prisões, Teixeira disse que, no caso de crimes contra administração pública, é difícil ocorrer o flagrante, o que dificulta a prisão. ‘‘É preciso muita cautela, pois o MP não está atrás de bode expiatório’’.
O procurador do MP junto ao TC, Laerzio Chiesorin Júnior, tem opinião semelhante à do procurador geral do MP. Chiesorin diz que os casos de Maringá e Londrina são duas investigações diferentes, que não podem ser comparadas. (M.D.)

mockup