Agência Estado
De Brasília
Indiciado pela CPI do Narcotráfico como suspeito de envolvimento no crime organizado no Espírito Santo, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, José Carlos Gratz (PFL), ameaçou pedir a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do presidente da CPI, deputado federal Magno Malta (PTB-ES) e do governador José Ignácio Ferreira (PSDB). ‘‘Se quebraram o meu, vou quebrar o deles e quero ver se são tão transparentes como eu’’, desafiou.
Gratz pretende pedir as quebras de sigilo do governador e de Malta – até as investigações no Espírito Santo, seus amigos e aliados políticos – em uma das CPIs abertas na Assembléia. O deputado abriu comissões sobre narcotráfico, criminalidade e sistema financeiro. Ele ficou irritado porque José Ignácio, segundo ele, teria prometido, numa reunião anteontem à noite, intervir a seu favor na CPI do Narcotráfico – e, em seguida, deu entrevista à TV local negando o apoio ao presidente da Assembléia. Gratz levantou ainda a hipótese de prorrogar os trabalhos das CPIs estaduais pelo recesso de final de ano, para conseguir votar as quebras de sigilo. O governador não quis falar sobre o assunto.
O deputado disse que vai interpelar criminalmente o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), sub-relator da CPI para o Espírito Santo e autor do requerimento que pediu seu indiciamento. ‘‘Ele é meu inimigo político e montou um palco aqui contra mim’’, afirmou. Gratz atribui as acusações a um ‘‘complô político’’, que teria começado quando foram divulgadas as denúncias de que o governador teria obtido, durante a campanha, um empréstimo irregular de R$ 2,8 mihões no banco estadual. O deputado foi acusado pelo grupo de José Ignácio de ter vazado a história para imprensa.

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