Curitiba - Depois de o Palácio Iguaçu classificar os professores de ''ingratos'', os deputados aliados a Requião pretendem abrir hoje um novo canal de negociação com o governo do Paraná, em relação ao plano de cargos e salários.
Angelo Vanhoni (PT), que ainda não deixou oficialmente a liderança do governo na Assembléia, sugeriu que o governo aceite pagar abonos, por exemplo, para que os professores não sejam prejudicados. A categoria esperava o pagamento do plano com os reajustes em média de 33% retroativos a fevereiro, mas o governador vetou o artigo que previa o pagamento retroativo.
''Os abonos não precisam ser pagos este ano, pode ser no ano que vem, mas dando a garantia aos professores que eles receberão'', disse Vanhoni.
Tadeu Veneri (PT) é outro que defende uma nova negociação. ''Precisa de uma mediação. Podem ser pagos abonos, ou escalonar o pagamento.'' O presidente da APP-Sindicato, José Lemos, tem esperança que o veto de Requião seja analisado hoje pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia.
''Nossa luta é legítima, trabalhamos com a tese de que estamos com a razão'', disse Lemos, que estava na tarde de ontem na Assembléia. Hermes Fonseca, presidente da CCJ, disse não saber se será possível analisar o veto hoje. A CCJ tem reunião marcada para as 11 horas.
O vice-presidente da Casa e futuro líder governista, Natálio Stica (PT), disse que apesar de não saber se é ele quem vai comandar a votação do veto a orientação para a bancada aliada será manter o veto. ''Fere a LRF. Não tem outro jeito.''
Stica admitiu que não será fácil manter o veto. ''Imagine as galerias lotadas. Ninguém vai querer se queimar'', observou. Stica avalia que a votação do veto será simbólica, servindo como termômetro para definir quem está realmente na base do governo Requião.
Mesmo que o veto seja derrubado, o Palácio Iguaçu não pretende iniciar a implantação do plano antes de abril. Segundo o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, como foi vetada a expressão ''esta lei entra em vigor a partir de sua publicação'', a legislação em vigor garante 45 dias para que o plano seja implantado.
Mas a derrubada do veto terá pelo menos peso político, mesmo que não funcione na prática. ''A derrubada do veto cria um impasse'', analisou Veneri. ''Por isso temos que abrir um canal de negociação.''

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