Brasília - Em depoimento no Conselho de Ética da Câmara, o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) deixou uma série de perguntas sem resposta, caiu em contradição e deu pelo menos uma informação errada aos conselheiros. Edmar garantiu que o tenente da Polícia Militar aposentado Jairo Shirneley Almeida Lima, que citou como chefe de sua equipe de segurança, nunca trabalhou em seu gabinete nem no do filho, o deputado estadual Leonardo Moreira (sem partido). Pouco depois, quando o depoimento foi suspenso, Leonardo disse que não se lembrava se empregou o policial. O Diário do Legislativo da Assembleia de Minas Gerais do dia 10 de junho de 2005 publica a exoneração do policial do cargo de secretário do gabinete de Leonardo.
Suspeito de gastos irregulares na contratação de suas próprias empresas de segurança com recursos públicos, Edmar disse utilizar o serviço em suas frequentes viagens, inclusive para participar de campanhas de correligionários. ''Não vou me ater a detalhes, a ocorrências, mas acho a segurança uma necessidade. É aquela lacuna que nós preenchemos onde o poder público infelizmente está se omitindo'', afirmou. ''Minha esposa sempre viaja comigo, meu filho deputado estadual (também). Fazemos 98% de campanha nos mesmos municípios. O segurança acompanhava.''
O contrato de Jairo Almeida Lima com a empresa de segurança Ronda - de propriedade de Edmar Moreira e que prestou serviços de segurança pagos com a verba indenizatória do gabinete do deputado - foi um dos pontos obscuros do depoimento. Primeiro, o ex-corregedor disse não saber onde está o documento original de prestação de serviço do policial, depois disse acreditar que estava com o próprio segurança. Em seguida, afirmou que talvez estivesse no órgão da Câmara responsável pela fiscalização e pagamento da verba indenizatória. O relator do processo, Nazareno Fonteles (PT-PI), foi insistente ao cobrar o contrato original, já que Edmar Moreira apresentou apenas uma cópia do documento.
Conhecido por ser dono de um castelo de R$ 25 milhões na zona da mata mineira, registrado em nome dos dois filhos, Edmar é suspeito de ter se apropriado indevidamente dos recursos da verba indenizatória. Entre 2007 e 2008, ele pagou R$ 230,6 mil a empresas de segurança de sua propriedade. No entanto, ainda não comprovou a prestação do serviço.
Convidado pelo conselho a prestar depoimento, Jairo Almeida Lima se recusou a comparecer à Câmara. Em ofício encaminhado ao presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), disse não ter mais nada a acrescentar além da declaração por escrito anexada na defesa do ex-corregedor. Questionado pelo deputado Hugo Leal (PSC-RJ) se Jairo ou algum outro funcionário do setor de segurança trabalhava no gabinete de Edmar ou de seu filho, o deputado mineiro negou. ''O vínculo empregatício é entre a empresa e o tenente. Em nenhum momento ele pertenceu ao meu gabinete ou ao gabinete do Leonardo'', assegurou Edmar. Pouco depois, no intervalo do depoimento, o deputado estadual foi questionado pela reportagem. ''Não me lembro, não me recordo se era, se não era, quando foi'', disse o parlamentar. Pouco depois, foi novamente questionado. ''Escreva o que quiser, não vou responder'', reagiu.

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