Deputado retira nome de pedido de CPI
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quarta-feira, 18 de abril de 2001
Denise Madueño e Luiza Damé Agência Folha De Brasília 
Com a pressão do governo, deputados começam a retirar assinaturas para a criação da CPI da Corrupção: o governista Osvaldo Biolchi (PMDB-RS) protocolou na Mesa da Câmara pedido de retirada de seu apoio argumentando que assinou equivocadamente, pois não tem interesse algum na instalação dessa CPI por considerá-la desnecessária. Biolchi usou a tese do governo para justificar o recuo: O PT está fazendo muita tribuna (política). O deputado conseguiu negociar a inclusão de dois projetos de seu interesse na pauta de votações da Câmara, mas nega que o fato tenha influenciado na decisão.
Em contrapartida, a oposição conseguiu mais adesões ontem. Os evangélicos seguidores da Igreja Universal do Reino de Deus prometeram dar mais nove assinaturas à CPI na terça-feira.
Os partidos de oposição reunidos ontem marcaram para a próxima quarta-feira o prazo final para a obtenção das assinaturas necessárias para a CPI mista, formada por deputados e senadores. Caso não consiga adesões suficientes na Câmara, vão tentar instalar a CPI apenas no Senado.
A oposição completou o número mínimo no Senado (27), mas na Câmara faltam ainda 23 assinaturas. O mínimo exigido é 171. Ontem, além das promessas, a oposição conseguiu o apoio do deputado Paulo Marinho (PFL-MA). Nós fixamos um prazo político. Se demorarmos muito, podemos esvaziar a CPI no Senado. A avaliação é que o clima está favorável à CPI mista, afirmou o líder do bloco de oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE).
A expectativa da oposição é a adesão de congressistas do PL. O deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) anunciou ontem no plenário da Câmara e na reunião das oposições que fará um ato na terça-feira para registrar o apoio de parte do PL. Até agora, seis deputados do bloco PL-PSL (23 deputados) assinaram a CPI.
Os demais deputados do PL resistem a apoiar o pedido. O deputado Luiz Antonio de Medeiros (SP) está negociando com o governo o alinhamento do partido com o Palácio do Planalto, tentando evitar novas adesões à CPI. A oposição vai insistir no convencimento de deputados vinculados ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Apenas cinco assinaram o pedido de uma bancada que pode chegar a 30 deputados em diversos Estados e partidos.
A operação-abafa do governo inclui um mapeamento dos deputados da base. Com os dados em mãos, os ministros são escalados para pressionar os congressistas. Os ministros Francisco Dornelles (Trabalho) e Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário), por exemplo, têm telefonado a vários deputados. Espera-se para hoje a retirada de assinatura de um deputado do PPB, partido de Dornelles. Até agora, três deputados do partido assinaram o pedido: Arnaldo Faria de Sá (SP), Augusto Nardes (RS) e Jair Bolsonaro (RJ).
Os líderes governistas negam que estejam barganhando a retirada de assinaturas. O governo está pedindo para retirar, mas não está prometendo nada, disse o líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio (PSBD-AM).


