Curitiba - O presidente da Comissão de Comunicação da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Rangel (PPS), repassou ontem ao Ministério Público (MP) toda a documentação recebida pelos parlamentares referentes às viagens ao Paraguai do secretário de Estado da Comunicação, Airton Pisseti. Acusado pela bancada de oposição de ter saído do país em dias de expediente normal para colaborar com a campanha de Fernando Lugo, candidato à presidência paraguaia, Pisseti é alvo de uma investigação pela Procuradoria da Defesa do Patrimônio Público do MP.
Os documentos repassados por Rangel ao promotor Odoné Serrano Júnior, responsável pelo procedimento, foram entregues aos deputados pelo próprio Pisseti na última terça-feira, durante uma tumultuada audiência na Comissão de Comunicação. Entre os papéis estão cópias de liberações de viagens do secretário a Foz do Iguaçu em datas que, segundo Rangel, ele estaria no Paraguai. Além disso, há as declarações de Pisseti na audiência, confessando que gastou quase R$ 5 mil em ligações telefônicas ao Paraguai feitas de seu gabinete na secretaria. Pisseti diz ter devolvido o dinheiro aos cofres públicos, mas isso só aconteceu no último dia 3, quando as denúncias contra ele já haviam sido divulgadas.
Para Rangel, o material entregue ao promotor pode comprometer Pisseti. Isso porque, no fim do mês passado, quando respondeu a um pedido de informações feito por Serrano Júnior, o secretário afirmou que não havia usado recursos públicos em suas atividades relacionadas ao Paraguai. Disse ainda que não precisava de autorização do governador Roberto Requião para se ausentar do País. ''Repassei ao promotor também cópias do Estatuto do Servidor Público, que é claro ao afirmar que para sair do País, um secretário precisa de autorização expressa do governador'', afirmou Rangel.
A assessoria de imprensa do MP afirmou que o promotor vai analisar toda a documentação recebida para decidir que medidas adota contra o secretário, caso considere necessário. Além disso, a liderança da oposição na Assembléia promete protocolar outra representação pedindo que o MP mova uma ação por improbidade administrativa contra Pisseti e Requião.

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