Curitiba - O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na capital, pode perder cerca de R$ 3 milhões por ano, hoje cedidos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). É que o deputado estadual Fernando Scanavaca (PDT), de Umuarama, protocolou na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná uma proposta para revogar a lei 11.722 de 1997, em que o governo estadual livrava a instituição de saúde das tarifas de energia elétrica e água. As duas despesas, conforme FOLHA apurou, somam aproximadamente R$ 255 mil por mês.
Scanavaca argumenta que o Estado assumiu essas despesas 15 anos atrás para tirar o Hospital de Clínicas de uma crise administrativa motivada por queda no repasse de recursos federais. ''Não se justifica mais a necessidade da existência dessa norma jurídica'', diz o político. Para ele a UFPR teria condições de arcar integralmente com a despesa, uma vez que ''a União está apresentando sucessivas recuperações de sua capacidade arrecadatória de tributos federais, com recordes de impostos e contribuições'', argumenta o parlamentar, na justificativa do projeto.
Consultado pela reportagem, o secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo (natural de Maringá), garantiu por meio de sua assessoria que a iniciativa não teria partido do governo do Paraná. Outras fontes da administração reclamaram de a Sesa assumir essa despesa, dizendo que o HC teria se ''acomodado'' com a situação. Hoje o HC é o maior hospital do Paraná e seu atendimento é integralmente dedicado a pacientes do Sistema Único da Saúde (SUS). Por mês, o HC atende em média 61 mil pessoas, contabilizando 1.464 internações e 837 cirurgias a cada trinta dias. Compõem a estrutura do hospital 261 consultórios e 510 leitos.
O deputado argumenta que, enquanto o Estado paga a água e a luz do hospital da UFPR, a União não dispensa ''qualquer apoio aos hospitais universitários (HUs) estaduais como os mantidos pelo Paraná''. Scanavaca manteve a isenção para os HUs, desde que pelo menos 70% dos leitos dessas instituições de saúde atendam ao SUS. A matéria é polêmica e poderia passar despercebida nesse final de ano, com os políticos da AL apressando a votação de mensagens do Executivo antes do recesso parlamentar, agendado para 22 de dezembro. O projeto aguarda designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

mockup