Curitiba - Mais um round na briga entre o governo do Estado e o deputado estadual Valdir Leite (PPS), o articulador da CPI do Porto. Ontem, um dia depois de os aliados do governo do Estado divulgarem documentos da Junta Comercial do Paraná mostrando a ligação de Leite com uma empresa que prestou serviços de limpeza no porto, o deputado lançou uma ''aposta'' ao governador Roberto Requião (PMDB).
Na tribuna do plenário, Leite disse que renuncia a seu mandato de deputado caso o governador prove que uma empresa ligada a seu nome tenha contrato direto firmado com a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Leite foi mais longe. Disse que Requião deve renunciar ao mandato de governador caso não comprove a ligação dele com a Appa. O Palácio Iguaçu não comentou o pronunciamento de Leite, autor da proposta de criação da CPI do Porto, que investiga a administração de Eduardo Requião, irmão do governador.
Nos documentos levantados pelos aliados do governo, Leite aparece como cotista da empresa Serly da Silva e Cia Ltda. Leite, porém, deixou a sociedade no final de 2003, passando suas cotas ao irmão. Em maio do ano passado, a empresa Serly da Silva (identificada como Prest Serv Prestadora de Serviços) firmou um contrato para prestação de serviços de limpeza no Corredor de Exportações do porto. O contrato entre a Serly da Silva (identificada, logo abaixo do nome Serly da Silva, como Prest Serv Prestadora de Seviços) foi firmado através da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), e não diretamente com a administração do porto. Também foi apresentada pelos aliados do governo uma ficha cadastral no porto em nome de Leite, datada de fevereiro de 2002 mas com data de admissão de outubro de 1998. Leite voltou a afirmar ontem que não tem ligação com nenhuma empresa que tenha firmado contrato com o Porto de Paranaguá.
O presidente da CPI do Porto, Valdir Rossoni (PSDB), estava ontem em viagem a Bituruna (71 quilômetros a oeste de União da Vitória), sua base eleitoral. Através de sua assessoria de imprensa, Rossoni repetiu que Leite era aliado de Requião antes de propor a CPI do Porto, e questionou o fato de só agora o deputado ser alvo de ataques por parte do Palácio Iguaçu. Rossoni não comentou, segundo sua assessoria, qual sua posição em relação aos documentos levantados pelos aliados do governador. O relator da CPI, Alexandre Khury (PMDB), disse que cabe agora ao presidente da CPI analisar os documentos.
Na segunda-feira, os deputados da CPI vão ouvir os depoimentos de Ogarito Linhares, ex-diretor técnico do porto, e de Marco Antonio Franco, delegado da Receita Federal.

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