Curitiba - O deputado estadual Delegado Recalcatti (PSD) apresentou projeto na AL (Assembleia Legislativa) do Paraná sugerindo que jogos de futebol no Estado não comecem mais depois das 20h30. Segundo ele, o objetivo é respeitar os torcedores, que "têm sido forçados a frequentar os estádios até tarde da noite".

Na última quarta-feira (11), o Athletico Paranaense enfrentou o Internacional às 21h30, na partida de ida da final da Copa do Brasil. A Arena da Baixada, em Curitiba, estava lotada. Durante a semana, o dia e o horário são geralmente os que contam com transmissão da televisão aberta. Os demais são divididos entre canais de TV fechada e pay-per-view.

"Nesse jogo do Athletico eu vi inúmeras crianças de sete ou oito anos com seus pais. A minha preocupação é tanto pela segurança como pela dificuldade que as pessoas que gostam de futebol vão encontrar para irem para suas casas depois", argumenta Recalcatti. Questionado pela reportagem sobre os contratos com as emissoras, ele diz ser "problema deles lá". "Eu me preocupo nesse aspecto [segurança e transporte]".

No texto, o parlamentar afirma que caberia à entidade responsável pela competição, no caso a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e ao detentor do mando de campo obedecer à nova regra. Ele também alega que o Código do Consumidor permite esse tipo de regulamentação. O descumprimento poderia implicar em advertência, multa de R$ 1.000 a R$ 100 mil e até suspensão do clube no torneio em questão.

Imagem ilustrativa da imagem Deputado quer proibir que jogos de futebol comecem depois das 20h30 no PR
| Foto: Marcos Zanutto/03-05-19

"Algumas partidas no meio de semana iniciam às 22 horas, com encerramento previsto para 23h45. Considerando que, por medida de segurança, as torcidas sejam liberadas meia hora após a outra, a dispersão total entraria pela madrugada sem a garantia do funcionamento dos serviços públicos de transportes, dificultando ainda mais o combate à violência no futebol", escreveu o deputado, na justificativa.

O político conta que conversou com várias pessoas que gostam de futebol e que encontrou apoio de 99%. Disse ainda que não acredita que a proposta enfrente resistência na Assembleia. Antes de ir a plenário, para votação em ao menos dois turnos, a matéria precisa passar pelo aval das comissões temáticas, como a CCJ (de Constituição e Justiça), que vai analisar a legalidade e a constitucionalidade. Depois, se aprovada, terá de ser sancionada pelo governador Ratinho Júnior (PSD).

Para o advogado Osvaldo Sestário, a medida é "extrema e absurda". Natural de Londrina, ele mora há 15 anos no Rio de Janeiro, onde atua na área do Direito Esportivo. "O Paraná tem quatro clubes hoje na Série B e um na Série A, jogando campeonatos nacionais. Quem determina os horários e as datas das partidas é a CBF. Não vejo a possibilidade de um projeto desses prosperar", destaca. Sestário cita justamente a existência de contratos já firmados entre a Confederação ou, no caso da Libertadores e da Sul-americana, entre a Conmebol, e os clubes, como empecilhos. "No conceito eu até concordo que 21h30 é muito tarde. Mas não são todos os jogos que começam nesse horário. Na Série B a maioria é mais cedo. Acho que há coisa mais importante para se preocupar", opina.

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