Deputado quer mais verba de gabinete
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sexta-feira, 06 de abril de 2001
Eugênia Lopes Agência Estado 
O primeiro-secretário da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), disse ontem que o aumento da verba de gabinete de R$ 20 mil para R$ 32 mil é apenas um paliativo e que não será suficiente para atender as despesas dos parlamentares. Cavalcanti defendeu um reajuste bem mais gordo para os deputados: queria que a verba saltasse dos atuais R$ 20 mil para R$ 45 mil mensais.
Mas não se pode conseguir tudo o que quer, lamentou o primeiro secretário. Em fevereiro, o deputado do PPB abriu mão de sua candidatura à presidência da Câmara em favor de Aécio Neves. A principal bandeira da campanha de Cavalcanti era o aumento da verba dos deputados. Não me sinto traído, mas foi uma falta de compreensão do Aécio, que tem uma concepção diferente da minha e que achou que esse aumento era a melhor solução para a Câmara, disse.
Anteontem à noite, a mesa diretora da Câmara decidiu aumentar em R$ 12 mil a verba de gabinete dos deputados: R$ 5 mil para contratação de um chefe de gabinete e R$ 7 mil para gastos com aluguel e manutenção de escritório e despesas com locomoção nos Estados dos parlamentares.
Reconheço que é necessário deputado ter algum tipo de verba para atuar nos Estados, disse o deputado José Genoíno (PT-SP). O PT era favorável a um aumento mais modesto: R$ 5 mil para despesas com pessoal de gabinete e outros R$ 5 mil para gastos com infra-estrutura. Este proposta foi defendida pelo terceiro secretário da Mesa da Câmara, deputado Paulo Rocha (PT-PA), mas acabou sendo derrotada. E mesmo tendo divergências, não vamos fazer uma luta política por causa do valor de aumento, afirmou Genoíno.
Os recursos para o reajuste de 60% na verba de gabinete dos 513 deputados virão de cortes nas despesas da Câmara. Serão gastos, ao ano, R$ 76,4 milhões a mais com o aumento da verba. Mas o presidente Aécio Neves argumentou que a elevação de despesas será compensada com o corte de gastos de R$ 156,8 milhões na Câmara, principalmente na área de pessoal.
A proposta é economizar R$ 137,7 milhões na área de pessoal: R$ 123,8 milhões com a redução de 10% nos gastos com os servidores da Câmara e R$ 9,6 milhões com a extinção de 262 cargos vagos - cinco de administrador, 11 de inspetor de segurança legislativa, quatro de psicólogo, 66 de técnico em material e patrimônio, 51 de operador de audiovisual e 125 de operador de máquinas.
Aécio Neves também determinou cortes no setor de serviços gerais, onde estima-se uma economia de R$ 16,3 milhões este ano. A maior parte da redução de gastos nesta área é resultado da suspensão de obras nas dependências da Câmara: serão R$ 11 milhões. O presidente espera ainda economizar R$ 800 mil com a suspensão da compra de carros novos e mais R$ 4,5 milhões com a renegociação de todos os contratos da Câmara com empresas prestadoras de serviço. A expectativa é reduzir ainda os gastos da Câmara em mais R$ 2,8 milhões com a restrição de publicações e assinaturas (R$ 2 milhões) e a proibição da realização de eventos nos finais de semana, com economia estimada em R$ 800 mil.


