Deputado quer investigar TC
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de julho de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Doutor Rosinha, quer que o Ministério Público investigue a possível responsabilidade dos ex-presidentes do Tribunal de Contas do Estado (TC) Artagão de Mattos Leão e Quiélse Crisóstomo da Silva na aprovação das contas da gestão do ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido), de 1997 a 2000. Auditoria feita pelo próprio TC e divulgada em janeiro deste ano detectou desvios de R$ 54 milhões dos cofres da prefeitura entre 97 e julho de 2000.
O deputado encaminhou ontem ao Ministério Público Federal representação contra os ex-presidentes do TC (que hoje exercem o cargo de conselheiros). Crisóstomo da Silva disse que foi ele quem encomendou a auditoria nas contas de Gianoto, no ano passado. Quem descobriu o rombo fui eu. Não sei porque o deputado me incluiu nessa representação, declarou o conselheiro. Ele disse que nunca relatou uma conta de Gianoto, e acredita que a atitude do deputado tenha caráter político. Mattos Leão está de licença médica e não foi encontrado pela Folha para comentar o assunto.
A assessoria de imprensa do Ministério Público Federal informou que, até o final da tarde de ontem, a representação não havia sido registrada no protocolo.
De acordo com Fier, os dois ex-presidentes foram negligentes na fiscalização e denúncias de participação de integrantes do TC na indicação do ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, acusado de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro da prefeitura. Paolicchi está preso desde dezembro do ano passado.
Segundo o deputado, a ação apresentada leva em consideração o fato de o TC ter tomado medida punitiva contra os envolvidos somente depois da constatação de desvio de verbas públicas, objeto de ações civil e penal da Procuradoria da República em Maringá.
O deputado afirmou que os ex-presidentes tentam iludir a opinião pública ao afirmar que o TC apontou as irregularidades. O rombo na prefeitura só veio ao conhecimento público após o trabalho de procuradores, constatando falhas e omissões do Tribunal de Contas do Estado, que deve fiscalizar e zelar pela fiel destinação do dinheiro público no Estado do Paraná, argumentou.


