Deputado quer criacionismo no currículo das escolas do PR
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - O deputado estadual Artagão Júnior (PMDB) reapresentou, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, um projeto de lei propondo a inserção de conteúdos sobre criacionismo na grade curricular da rede pública estadual de ensino. A análise da mensagem 30/2014 foi adiada ontem na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas a expectativa é que ocorra nas próximas semanas. A proposição chegou a tramitar na Casa em 2007, sob o número 594, no entanto, acabou arquivada. Desta vez, o peemedebista disse que conversará com sua assessoria para verificar formas de viabilizar a votação.
Conforme o texto, as disciplinas já existentes passariam a incluir "noções de que a vida tem sua origem em Deus, como criador supremo de todo o universo e de todas as coisas que o compõe". "Nós não estudamos e não aprendemos na escola a teoria da evolução? Por que não discutir também, mesmo que na forma de teoria, a criação?", questionou Artagão, um dos dez integrantes da chamada bancada evangélica da AL. O grupo tende a crescer a partir de 2015, sobretudo devido ao aumento no número de representantes do PSC, partido de base cristã, de dois para 12.
O parlamentar garantiu não se tratar de uma imposição, e sim de provocar o debate "em cima de algo em que a maioria da população acredita". "Hoje, infelizmente, muitas pessoas, crianças e famílias, não discutem mais esse tema", argumentou. Para o autor da proposta, "ensinar apenas o evolucionismo nas escolas é ir contra a liberdade de crença do povo". "O ensino darwinista limita a visão cosmológica de mundo existencialista, levando os estudantes a desacreditarem na existência de um criador que está acima das frágeis conjecturas humanas forjadas em tubos de ensaio laboratorial", diz trecho da justificativa.
O líder do PT, Tadeu Veneri, por sua vez, afirmou não acreditar na aprovação da mensagem. "Não tem nenhum sentido. É totalmente inconstitucional. Primeiro: não se pode votar um projeto que crie uma disciplina, ainda que transversal, dentro do currículo. Segundo: a igreja tem um papel, mas não dentro da educação. O ensino é laico. Isso se ensina na igreja, não na escola", opinou. Procurada pela FOLHA, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o projeto aguarda aprovação da CCJ e que, se for aprovado, será encaminhado à pasta. "Aí sim daremos o parecer".


