Deputado quer CPI para investigar Via Campesina
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
O deputado federal Abelardo Lupion (PFL) defendeu ontem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional para investigar eventual atuação da Via Campesina nas eleições nacionais. Um grupo de integrantes da Via Campesina acampou em frente à Fazenda Santa Rita, de propriedade de Lupion, em Santo Antônio da Platina (norte pioneiro), no último dia 18, para deflagrar um protesto contínuo contra o agronegócio. Lupion é presidente da Comissão de Agricultura da Câmara Federal e foi acusado de receber doações de campanha de empresas ligadas ao agronegócio.
''Meus colegas de comissão pediram a marcação de uma audiência aqui na fazenda para o próximo dia 2. Devem vir pelo menos 20 deputados e 5 senadores. Nós vamos homenagear esses meninos da Via Campesina com a primeira CPI da próxima legislatura'', prometeu Lupion. ''A Constituição proíbe a atuação de entidades estrangeiras nas eleições internas. A Via Campesina é o braço internacional dos sem-terra e está fazendo exatamente isso: interferência direta nas eleições. Nós vamos tomar as providências necessárias.''
Ontem pela manhã, um grupo de aproximadamente 30 integrantes da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deu sequência aos protestos contra o agronegócio com uma mobilização em frente à empresa Nortox Agroquímicos S.A., na BR 369, entre Arapongas e Apucarana. A Nortox é uma das maiores fabricantes de agrotóxicos do país.
Os sem-terra voltaram a criticar o que consideram ''crimes do agronegócio'' - redução da biodiversidade, empobrecimento do solo e concentração de riquezas - e repetiram a acusação de que a Nortox teria doado R$ 50 mil para a campanha do deputado Lupion em 2002. A maior parte dos integrantes do protesto era de moradores do Assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas. O coordenador do protesto, Pedro da Silva , se referiu à empresa como uma multinacional.
O diretor presidente da Nortox, Osmar Amaral, contestou a informação. ''Somos uma empresa genuinamente brasileira com 90% de capital nacional. O restante está com uma empresa suíça de investimento que nunca compareceu aqui. Ela apenas repassa tecnologia para a Nortox'', afirmou.
Osmar Amaral ironizou a presença do reduzido grupo de pessoas no protesto. ''Acho que não chegou a 40 pessoas, mas a metade era de crianças, de 12 anos no máximo. Isso é gente mandada.''
O deputado federal Abelardo Lupion defendeu a legitimidade da doação de R$ 50 mil da Nortox para sua campanha em 2002. ''Foi tudo registrado na Justiça Eleitoral e não tem crime nenhum. O MST é financiado por quem o apóia, e com os produtores é a mesma coisa.''


