Deputado quer afastamento de assessor de Lula
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quarta-feira, 30 de julho de 2008
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) ingressou com representação na Polícia Federal e no Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) com pedido de investigação do chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. Na representação encaminhada ao MPDF, Sampaio pede que o órgão conceda liminar para afastar Carvalho imediatamente do cargo - depois que o chefe-de-gabinete divulgou nota oficial na qual considerou ''normal'' conversar com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh sobre o banqueiro Daniel Dantas, seu cliente.
O tucano argumenta que Carvalho cometeu crime de responsabilidade, prevaricação e improbidade administrativa ao repassar informações privilegiadas ao advogado de Dantas, investigado pela PF na Operação Satiagraha. ''Isso é ilícito pelo Código Penal, a consequência é que ele vai continuar procedendo desta forma, por isso não pode permanecer no cargo'', afirmou.
Sampaio disse que, se a representação for acatada pelo MPDF, Carvalho vai responder a sanções que variam desde o pagamento de multa e inelegibilidade ao seu afastamento do cargo. ''O Gilberto Carvalho desrespeitou princípios da moralidade pública. Eu nunca vi um secretário do presidente buscar informações em uma agência de inteligência para subsidiar defesa de um banqueiro.''
Na PF, Sampaio espera que o órgão investigue a atuação de Carvalho no episódio em que recebeu Greenhalgh para discutir as investigações sobre Dantas. ''O ato dele, na Polícia Federal, tipifica prevaricação. O caso é muito grave'', afirmou.
O tucano disse que não ingressou com representações contra Greenhalgh uma vez que, como advogado, o ex-deputado tem o direito de usar ''mecanismos que julgue adequados'' na defesa do seu cliente. ''O Greenhalgh não é servidor público, é um advogado que milita na vida privada. Contra ele, há medidas que podem ser tomadas apenas em outras instâncias'', afirmou.
Defesa
Em nota oficial, o chefe de gabinete de Lula admitiu que conversou com o ex-deputado e lhe informou que o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência não investigava Daniel Dantas.
Na nota, Carvalho negou ter pedido informações à PF e ao Ministério da Justiça sobre as investigações. O chefe de gabinete confirmou que Greenhalgh lhe pediu que obtivesse ''mais informações'' por meio da PF de dados sobre o inquérito da Satiagraha.
Carvalho afirmou ainda, na nota, que respondeu a uma das questões levantadas por Greenhalgh, em um telefonema do dia 28 de maio - quando o ex-deputado pediu informações sobre a suposta investigação envolvendo Humberto Braz, que trabalha para Daniel Dantas e se entregou à PF depois de ser acusado de tentar subornar policiais envolvidos na Operação Satiagraha.


