Deputado quer acabar com as doações
São Paulo - O deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) propõe uma solução radical para o problema das doações de campanha: sua extinção. Seu projeto prevê o financiamento exclusivamente público, o que tornaria o Brasil caso único no mundo.
O montante de recursos para financiamento das campanhas seria calculado com base em R$ 7 por eleitor. Como há cerca de 120 milhões de eleitores, os partidos, que hoje gastam algo como R$ 10 bilhões em suas campanhas, teriam de se virar com R$ 840 milhões. O deputado acha que, com o arrocho, as campanhas eleitorais deixarão de ser mera disputa de marketing, para voltarem a ser um debate de idéias.
O dinheiro seria distribuído assim: 1% dividido entre todos os partidos; 14% dividido entre todos os partidos que tenham deputados federais; e 85% distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais de cada partido. Os recursos iriam para os partidos, não para os candidatos, da mesma maneira que o voto seria na legenda.
Caiado admite que, no futuro, o financiamento privado possa voltar a ser permitido. ''No início, temos de ser rígidos. Depois que o financiamento estiver bem regulamentado, podemos evoluir para um sistema misto, com fiscalização, contrapartida e parâmetros.''
Pelo projeto de Caiado, as prestações de contas passam a ser feitas pelos partidos, e não mais pelos candidatos. Com isso, em vez de milhares de contas, os Tribunais Regionais Eleitorais teriam 10 ou 15 para analisar.
Depois de ser colocado na ordem do dia pelo escândalo Waldomiro Diniz, o projeto de reforma política foi retirado da pauta pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Sua votação só deve ocorrer no ano que vem.
A idéia é encarada com reservas por críticos do atual sistema, como o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Alvaro Lazzarini, e pelo diretor da Transparência Brasil, Bruno Speck. ''Teoricamente, pode ser bonito, mas eu indagaria: onde o governo vai buscar dinheiro?'', pergunta o presidente do TRE. Lazzarini conta que, para a realização das eleições deste ano, o TRE paulista pediu R$ 24,886 milhões. Deve receber R$ 14,833 milhões um corte de R$ 10 milhões. ''Não há dinheiro nem para realizar as eleições'', constata o desembargador.
Já o diretor da Transparência Brasil acha que o financiamento não deve ser exclusivamente público. ''O financiamento privado, em pequenas quantias, é uma forma de enraizamento social'', observa. ''A arrecadação é uma forma de mostrar apoio social. L.S.)





