Deputado promete devolver dinheiro
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
O deputado federal José Borba (PMDB-PR) se comprometeu ontem a devolver R$ 92.160 desviados da Prefeitura de Maringá e que acabaram depositados na conta do extinto Instituto de Previdência do Congresso (IPC), em Brasília, para pagamento de contribuição previdenciária. Borba admitiu que foi beneficiado pelo depósito, feito com um cheque administrativo do Banco do Brasil. Mas ele alegou que apenas fez um empréstimo pessoal junto ao ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, e que nunca soube da origem do dinheiro.
Ontem, o deputado compareceu espontaneamente ao Ministério Público em Maringá, acompanhado do advogado Roberto Bertoldo, e entregou um termo de declaração ao promotor José Aparecido da Cruz. Definitivamente, o Borba nega que tenha autorizado, que tenha conhecimento ou que participou de qualquer desvio em Maringá ou em qualquer outro município, destacou.
Segundo Bertoldo, em janeiro de 99 Borba recorreu a Paolicchi para poder averbar (declarar) tempo de serviço no IPC referente ao período em que foi prefeito de Jandaia do Sul. A lei permite que se pague contribuições anteriores para que a pessoa não perca tempo de serviço, explicou. O próprio ex-secretário teria feito o depósito, impossibilitando Borba de saber como o dinheiro chegou ao instituto.
Bertoldo destacou que na época do empréstimo Paolicchi era tido como uma pessoa de posses, inclusive dono de helicópteros e outros bens de valor. O deputado, segundo ele, só desconfiou que poderia ter se beneficiado com dinheiro desviado no último dia 28 de janeiro, quando a imprensa noticiou que o MP encaminhou carta precatória para o Distrito Federal pedindo informações sobre o depósito no IPC.
O advogado conta que o próprio Borba foi buscar informações no instituto e descobriu que, além dele, outros cinco parlamentares fizeram depósitos no mesmo dia e valor, incluindo o deputado Ricardo Barros (PPB), também de Maringá. Mas Borba checou que os outros deputados fizeram depósitos em dinheiro. Por exclusão, ele sabe que o depósito foi feito para ele, admitiu o advogado.
Bertoldo acrescentou que hoje estará em Brasília para tentar levantar documentos comprovando que o cheque da prefeitura beneficiou seu cliente e, assim, possa devolver o valor. Antes, pretende depositar R$ 92.160 em juízo, corrigidos, com a proposição de uma ação de consignação em pagamento. Também estará enviando ofício ao Banco do Brasil pedindo informações.
O deputado Borba inclusive está disposto a abrir mão dos seus sigilos bancário e fiscal para que tudo seja esclarecido, destacou o advogado. Ainda segundo ele, antes do caso se tornar público o deputado procurou Paolicchi para tentar parcelar o pagamento do empréstimo. Em todas as vezes, o ex-secretário teria dito que preferiria receber de forma integral, quando fosse possível. Talvez ele (Borba) tenha sido vítima de conspiração política ou golpe, comentou Bertoldo.
Ontem, o promotor Cruz ouviu a secretária do ex-prefeito Said Ferreira (sem partido), Raquel Bispo dos Santos. Ela confirmou que, durante a administração de Jairo Gianoto (sem partido), esteve na secretaria de Fazenda para apanhar documentos e dinheiro com Paolicchi. O MP vai ouvir agora os vereadores Paulo Mantovani (PSDB) e Edith Dias de Carvalho (PFL), arrolados como defesa de Paolicchi. (Colaborou Marcos Zanatta, de Maringá)


