Deputado português defende corte de salário de políticos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de setembro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
A redução do custo da máquina pública é medida essencial para enfrentar a crise econômica brasileira e ela inclui a redução de salários de autoridades. Pelo menos, deu certo na fórmula adotada por Portugal para combater a crise que abateu parte da Europa desde 2011, afirma o deputado português Carlos Páscoa, que esteve ontem em Londrina em visita à comunidade luso-brasileira.
O deputado mudou-se para o Brasil com 15 anos e permaneceu no Rio de Janeiro até 2005, quando se candidatou pela primeira vez ao Parlamento português pelo PSD daquele país. Ele representa as comunidades portuguesas fora da Europa e está em fase de pedir votos para seu quarto mandato. As eleições estão marcadas para 4 de outubro.
A crise da dívida pública da Zona do Euro, ainda em curso, fez com que, a partir de 2009, tornasse impossível o pagamento ou refinanciamento da dívida pública de alguns países europeus sem a ajuda de terceiros. Isso ocorreu devido ao aumento do endividamento público, o que afastou os investidores que temiam crises.
Por conta disso, Portugal vive, desde 2011, um cenário de austeridade, aumento de impostos e cortes de gastos públicos da ordem de 20%. "Como estamos num grupo de países de moeda única, não podemos desvalorizá-la. Então, tivemos de reduzir custos de outra maneira: reduzindo salários e número de funcionários públicos, melhorando os investimentos, aumentando a jornada de trabalho do funcionário público e reduzidos os feriados", cita.
O corte de salários atinge a todos. "Sou funcionário público, então, também fui afetado."
Como consequência das medidas, Portugal enfrentou queda na atividade econômica, recessão acentuada, aumento de desemprego, fechamento de empresas, paralisação da construção civil.
A situação não é diferente da que vemos hoje no Brasil, mas a situação foi criada por problemas internos, analisa o deputado. O parlamentar recordou que o Brasil é um grande parceiro econômico de Portugal e teve papel importante no período que eles atravessam. "Nos preocupa ver uma economia deste tamanho, por problemas basicamente internos, entrar em recessão profunda e, provavelmente, duradoura."
Para ele, a experiência de Portugal indica que o Brasil não sairá da situação sem medidas impopulares. "O primeiro passo,já dado, é a desvalorização da moeda, mas tem que cuidar dos gastos públicos. Cuidar do assistencialismo, que cresceu muito nos últimos anos, da máquina pública, que tem uma participação enorme e precisa reduzir as taxas de juros. Sem isso, não tem credibilidade e nem investimentos", afirma.
Páscoa diz que, apesar de a imagem do Brasil estar manchada pelas denúncias de corrupção "que saem todos os dias nos jornais", a situação era diferente nos fóruns econômicos. Mas, o problema da publicação de balanços da Petrobras e o prejuízo da empresa, aliado à queda do valor do petróleo e das commodities mudaram o modo como o país era visto. "Isso, somado a um problema que era só interno, isso só passou a ser um agravante para a situação financeira", diz o parlamentar.
Os portugueses recenseados pela embaixada daquele país começam a receber, via correio, por volta do dia 20, um envelope com a cédula eleitoral para votar. Junto, vem outro envelope, no qual devem ser inseridos a cédula preenchida e uma certidão de eleitor, que pode ser solicitada ao consulado, mesmo via e-mail. A apuração começa nove dias após o pleito.


